O perfil clínico-epidemiológico e os fatores associados às internações por doenças respiratórias virais em crianças em um hospital público pediátrico de Alagoas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-270Keywords:
doenças respiratórias, criança, infecções por vírus, hospitalização, epidemiologiaAbstract
Introdução: As doenças respiratórias virais em crianças representam um dos principais motivos de internação hospitalar em países em desenvolvimento, configurando um desafio importante para a saúde pública. A imaturidade do sistema imunológico infantil, associada a fatores ambientais e sociais, contribui para a elevada morbidade e mortalidade nesse grupo etário. Objetivos: Caracterizar o perfil clínico-epidemiológico e identificar os fatores associados às internações por doenças respiratórias virais em crianças atendidas em um hospital público pediátrico de Alagoas, bem como descrever os agentes etiológicos mais prevalentes, a situação vacinal e os desfechos clínicos. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, de coorte prospectiva, com análise censitária de 427 prontuários de crianças de 29 dias a 18 anos admitidas com sintomas respiratórios no período de 2023 a 2024. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, situação vacinal, exames laboratoriais para tipagem viral e evolução clínica. Resultados e Discussão: A maioria das internações ocorreu em crianças de até quatro anos, confirmando a maior vulnerabilidade dessa faixa etária. O sintoma mais frequente foi dispneia, presente em 74% dos casos, frequentemente acompanhada de sibilos. Quanto à tipagem viral, os agentes mais detectados foram SARS-CoV-2 (23,7%) e rinovírus (19,4%), enquanto 37,2% apresentaram resultado negativo para os vírus pesquisados. Observou-se ainda que 70,7% das crianças tinham o calendário vacinal básico atualizado, mas apenas 19,9% estavam vacinadas contra a Covid-19. Em relação à evolução, 89,9% receberam alta, 6,6% foram transferidas e 3,5% evoluíram para óbito. A sazonalidade mostrou maior incidência de internações nos meses de outono e inverno, refletindo o padrão de circulação viral já descrito na literatura. Esses achados evidenciam a relevância da vacinação, do diagnóstico precoce e do manejo clínico adequado para redução de complicações. Conclusões: As doenças respiratórias virais permanecem como causa expressiva de internação pediátrica em Alagoas, com predomínio em crianças menores de quatro anos e forte impacto clínico e epidemiológico. O cenário reforça a importância de estratégias preventivas, como ampliação da cobertura vacinal, intensificação de medidas educativas e fortalecimento do diagnóstico laboratorial rápido, visando à redução da morbimortalidade infantil.
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