Hepatite autoimune induzida por chá de Ayahuasca: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-240Keywords:
hepatite autoimune induzida, lesão hepática induzida por ervas, chá de ayahuascaAbstract
Introdução: As lesões hepáticas induzidas por drogas (DILI) e por ervas (HILI) representam desafios diagnósticos e terapêuticos significativos, especialmente quando mimetizam quadros de hepatite autoimune (HAI). A discussão busca contribuir para o reconhecimento clínico dessas entidades e para o manejo seguro em contextos de uso crescente de fitoterápicos e substâncias enteógenas. Relato do caso: Paciente N. O. F. N., 25 anos, sexo feminino, previamente hígida. Apresentava queixa quadro de epigastralgia de forte intensidade, associada a náuseas e vômitos, icterícia, hiporexia, constipação intestinal e sonolência há 3 dias. Devido piora progressiva dos sintomas, procurou atendimento médico. Realizado biópsia hepática com resultado: hepatite aguda portal e periportal com colestase canalicular. O aspecto histológico sugestivo de mecanismo de dano hepático imunomediado, possivelmente por um mecanismo de hipersensibilidade associado a drogas ou a substâncias exógenas. Discussão: Considerando a paciente do caso, apesar da lenta queda de transaminases levando à opção de introdução de corticoterapia e imunomodulação, após a suspensão do tratamento não houve recidiva no período de sete meses. Desse modo, foi possível afirmar a hipótese lesão hepática induzida por ervas. Considerações finais: No presente caso, o critério utilizado para sustentar o diagnóstico de lesão hepática induzida por ervas (HILI) foi a ausência de recidiva da hepatite autoimune-like após pelo menos seis meses da suspensão da imunossupressão. Diante disso, o relato tem como propósito registrar essa ocorrência clínica incomum, contribuindo para a conscientização da comunidade médica e científica quanto aos riscos potenciais do uso indiscriminado de substâncias naturais.
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