O Transtorno de Personalidade Borderline como Dispositivo de Poder e Gênero: Uma Análise Histórico-Discursiva da Psiquiatria Contemporânea

Authors

  • Larissa Campos Pinto
  • Tadeu Oliveira de Aguiar

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-237

Keywords:

Borderline, gênero, psiquiatria, poder

Abstract

O presente trabalho analisa a constituição histórico-discursiva do Transtorno de Personalidade Borderline, investigando suas articulações com as categorias de gênero e os dispositivos de poder que operam na psiquiatria moderna. A partir de uma perspectiva genealógica inspirada em Michel Foucault e de uma leitura crítica feminista, busca-se compreender como a psiquiatria produziu o borderline como categoria-limite entre normalidade e patologia, sobretudo associando o feminino à instabilidade emocional e à fragilidade moral. O estudo examina a passagem do conceito de borderline desde sua emergência no início do século XX até sua consolidação nas classificações diagnósticas do DSM, evidenciando como tais manuais funcionam como tecnologias de regulação e normalização da subjetividade. Discute-se, ainda, a função política e clínica do diagnóstico, entendido não apenas como instrumento de controle, mas também como possibilidade de resistência e reinvenção subjetiva. Ao articular história, gênero e poder, o trabalho propõe uma leitura crítica da racionalidade diagnóstica contemporânea, enfatizando a necessidade de repensar os modos de cuidado e escuta do sofrimento psíquico a partir de uma ética do sujeito e não da norma.

References

ALBUQUERQUE, Gabriela Cavalcanti de. Histeria feminina no Ocidente: conceito e patologização do corpo da mulher. In: CONGRESSO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL (ABRAPSO), 2016. Disponível em: https://www.anpepp.org.br/congresso/2016. Acesso em: 12 maio 2025.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-III. 3. ed. Washington, DC: APA, 1980.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BEAUVOUIR, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1980. V.1.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Tradução de Maria Helena Kuhner. 11. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

DALGALARRONDO, Paulo; VILELA, William A. Transtorno borderline: história e atualidade. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 2, n. 2, p. 52–71, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlpf/a/zY7LYw46XxX3jPypqNvYB6x/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 12 maio 2025.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

ENGEL, Magali. Psiquiatria e Feminilidade. In: DEL PRIORE, Mary (Org). História das mulheres no Brasil. São Paulo: contexto, 2006. P.322-361.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017 [2004].

FOUCAULT, Michel. História da loucura na idade clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. Rio de Janeiro: Perspectiva, 1972.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 13. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1999.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

GARCIA, Carla Cristina. Ovelhas na névoa: um estudo sobre as mulheres e a loucura. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994.

GUERRA, Carlos. Uma aproximação à genealogia da perturbação borderline da personalidade. Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, v. 15, n. 1, p. 102–113, 2017. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/psilogos/article/download/11980/11045/45837. Acesso em: 02 nov. 2025.

MELLO NETO, Gustavo A. R.; MARTINEZ, Viviana C. V.; MOREIRA, Ana P. Histeria e patologias borderline no discurso psicanalítico: linhas tênues. In: MELLO NETO, Gustavo A. R. et al. (Org.). Percurso da clínica: histeria e estruturas limítrofes. Maringá: EDUEM, 2008. p. 91–102.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p.71-99, jul./dez. 1995. Disponível em: https://egov.df.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/G%C3%AAnero-%E2%80%93-uma-categoria-%C3%BAtil-de-an%C3%A1lise-hist%C3%B3rica.pdf. Acesso em: 30 out. 2025.

WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos da mulher. Tradução de Ivania Pocinho Motta. São Paulo: Boitempo, 2016.

Published

11/28/2025

How to Cite

PINTO, L. C.; AGUIAR, T. O. de. O Transtorno de Personalidade Borderline como Dispositivo de Poder e Gênero: Uma Análise Histórico-Discursiva da Psiquiatria Contemporânea. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 6, p. e84119, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n6-237. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/84119. Acesso em: 21 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers