Aspectos imunológicos da sepse: revisão sobre a modulação da resposta inflamatória e o papel de citocinas, biomarcadores e estratégias terapêuticas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-152Keywords:
sepse, biomarcadores, imunomodulaçãoAbstract
Introdução: A sepse representa uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva mundialmente, caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica (SIRS) desregulada e potencialmente fatal. Essa complexa cascata fisiopatológica é mediada por uma tempestade de citocinas, dano tecidual e disfunção orgânica, com limitações significativas nas estratégias terapêuticas atuais. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre os mecanismos moleculares da resposta inflamatória na sepse, com foco no papel de citocinas, DAMPs (Padrões Moleculares Associados a Danos) e novos biomarcadores, além de avaliar o potencial de estratégias imunomoduladoras emergentes. Método: Revisão sistemática conduzida nas bases PubMed, SciELO e Web of Science, utilizando descritores como "sepsis", "cytokines", "biomarkers", "DAMPs", "immunomodulation" e "systemic inflammatory response syndrome". Foram incluídos artigos publicados nos últimos 10 anos, revisados por pares e discutidos criticamente. Discussão: A sepse desencadeia uma liberação massiva de mediadores pró-inflamatórios, como TNF-α, IL-1β e IL-6, e de DAMPs, como o heme livre, que ativam vias imunes inatas, como o inflamassoma NLRP3, amplificando a resposta inflamatória e coagulatória. A interação entre neutrófilos e células NK demonstra papel crucial na modulação dessa resposta. A identificação de biomarcadores precoces e específicos permanece um desafio, embora essencial para a estratificação de pacientes. Terapias emergentes, baseadas no uso de ácido docosahexaenoico (DHA), vesículas extracelulares (EVs) e sequestrantes de DAMPs, surgem como promissoras para modular a resposta imune de forma mais precisa, visando restaurar a homeostase e não apenas suprimir a inflamação. Conclusão: A modulação da resposta inflamatória na sepse permanece um desafio complexo. A compreensão dos mecanismos envolvidos na liberação de citocinas e DAMPs, assim como a descoberta de biomarcadores robustos, é fundamental para o desenvolvimento de terapias personalizadas. Estratégias de imunomodulação fina, como as baseadas em EVs e na neutralização de DAMPs, representam um paradigma terapêutico emergente e potencialmente revolucionário. No entanto, a tradução dessas descobertas para a prática clínica depende da realização de mais estudos translacionais e ensaios clínicos robustos que validem sua eficácia e segurança, visando melhorar o prognóstico de pacientes sépticos.
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