Tratamento cirúrgico das queimaduras profundas: indicações, técnicas e desfechos
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-145Keywords:
queimaduras profundas, tratamento cirúrgico, desbridamentoAbstract
Introdução: As queimaduras profundas representam um dos traumas mais complexos do ponto de vista clínico e cirúrgico, devido ao elevado risco de infecção, distúrbios metabólicos e sequelas funcionais e estéticas. O dano térmico, ao atingir derme profunda e estruturas subjacentes, demanda intervenções oportunas e tecnicamente precisas. Nesse contexto, a remoção adequada do tecido necrótico e a seleção da melhor cobertura cutânea constituem etapas fundamentais para otimizar a cicatrização, reduzir complicações e favorecer a reabilitação funcional. Objetivo: Analisar as principais indicações para o manejo cirúrgico das queimaduras profundas, descrever as técnicas atualmente utilizadas e discutir os desfechos clínicos e funcionais associados a essas intervenções. Metodologia: Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed, Scielo e Lilacs, utilizando descritores relacionados a queimaduras e tratamento cirúrgico. Foram incluídos artigos entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e relacionados diretamente ao manejo cirúrgico de queimaduras profundas. Após análise dos critérios de elegibilidade, foram selecionados 12 estudos que abordaram técnicas cirúrgicas, tempo ideal de intervenção, resultados funcionais e complicações. Discussão: Os estudos analisados demonstram que a excisão precoce dos tecidos desvitalizados permanece o pilar central do tratamento cirúrgico das queimaduras profundas, contribuindo para melhor controle infeccioso, integração do enxerto e redução do tempo de cicatrização. Apesar do avanço de técnicas alternativas, como desbridamento enzimático, hidrocirurgia e ultrassom, a excisão tangencial seguida de enxertia continua sendo o método mais consolidado. O uso de substitutos dérmicos e biomateriais representa uma estratégia complementar promissora, sobretudo em casos extensos, embora ainda apresente limitações relacionadas à resistência tecidual e ao risco de retrações tardias. Persistem desafios importantes, especialmente a remodelação cicatricial e a ocorrência de contraturas, com maior impacto em áreas articulares e em populações vulneráveis, reforçando a necessidade de acompanhamento prolongado e abordagem multiprofissional. Conclusão: O sucesso do tratamento cirúrgico das queimaduras profundas depende da combinação entre desbridamento eficaz e escolha criteriosa da cobertura cutânea. O autoenxerto de espessura parcial permanece como padrão-ouro, podendo ser complementado por aloenxertos ou substitutos dérmicos conforme a disponibilidade de áreas doadoras e as características da lesão. Embora técnicas como desbridamento enzimático e hidrocirurgia ofereçam vantagens na remoção seletiva do tecido necrótico, ainda não substituem os métodos tradicionais de cobertura definitiva. Complicações como infecção, perda parcial do enxerto, cicatrizes hipertróficas e contraturas continuam frequentes, reafirmando a necessidade de intervenções precoces, individualizadas e sustentadas por equipe multidisciplinar para melhores resultados clínicos, funcionais e estéticos.
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