Perfil epidemiológico, série temporal e disparidades no acesso à cirurgia plástica reparadora pós-bariátrica no Sistema Único de Saúde (2014-2024)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-043Keywords:
cirurgias reconstrutoras, cirurgia bariátrica, Sistema Único de Saúde, equidade em saúde, análise de série temporal, COVID-19Abstract
Este estudo ecológico retrospectivo analisou o perfil epidemiológico, a tendência temporal e as características das cirurgias plásticas reparadoras pós-cirurgia bariátrica realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024. Foram extraídos dados de 11.880 Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) do SIH-SUS. O coeficiente nacional de procedimentos no período foi de 5,85 cirurgias por 100.000 habitantes (Censo IBGE 2022), com profunda desigualdade regional: as regiões Sul (12,21/100.000) e Sudeste (6,81/100.000) apresentaram taxas significativamente superiores às do Nordeste (2,63/100.000) e Norte (1,19/100.000). Uma análise de série temporal (2014-2019) confirmou uma tendência de crescimento pré-pandêmica significativa ($R^2 = 0.82$, $p < 0.05$), abruptamente interrompida pela pandemia de COVID-19, com queda >60% em 2020-2021. A análise em nível estadual revelou desigualdade extrema, confirmada por um alto Coeficiente de Variação (CV = 157,4%). A maioria dos atendimentos (86,5%) foi eletiva, mas observou-se uma taxa inesperadamente alta de urgência (13,5%; $p < 0.001$). Uma forte correlação de Pearson negativa ($r = -0.88$, $p < 0.05$) foi encontrada entre o tempo de permanência regional e o custo médio. Criticamente, a qualidade dos dados mostrou-se severamente comprometida, com 83,0% da natureza dos estabelecimentos classificada como "Ignorada" ($p < 0.001$). Os resultados apontam graves iniquidades regionais, falhas sistêmicas de registro e a vulnerabilidade de procedimentos eletivos a crises sanitárias.
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