Esporotricose: desafios diagnósticos, avanços terapêuticos e impactos na saúde pública em contexto de expansão zoonótica
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n6-004Keywords:
esporotricose, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamentoAbstract
A esporotricose é uma micose subcutânea de importância crescente na saúde pública, caracterizada pela infecção causada por fungos do gênero Sporothrix, com destaque para o Sporothrix brasiliensis. A doença, anteriormente restrita a áreas rurais, tornou-se um problema urbano devido ao aumento do número de casos zoonóticos, principalmente transmitidos por felinos domésticos infectados. Essa transição epidemiológica evidencia a necessidade de políticas integradas de vigilância, prevenção e controle baseadas no conceito de “Saúde Única”. Do ponto de vista fisiopatológico, o fungo apresenta notável dimorfismo térmico e capacidade de adaptação ao hospedeiro, o que favorece a diversidade de manifestações clínicas, desde formas cutâneas localizadas até quadros disseminados em indivíduos imunocomprometidos. No campo diagnóstico, os avanços recentes em biologia molecular, especialmente o uso de técnicas de PCR, têm permitido a identificação rápida e precisa das espécies envolvidas, superando as limitações dos métodos convencionais de cultura micológica. Esses progressos são fundamentais para reduzir o subdiagnóstico e orientar o tratamento adequado, especialmente em regiões endêmicas. Em relação ao manejo terapêutico, o itraconazol permanece como o principal agente antifúngico, enquanto a terbinafina e a anfotericina B são utilizadas em casos graves ou refratários. Novas abordagens, como formulações lipídicas, terapias combinadas e pesquisas voltadas ao desenvolvimento de vacinas, oferecem perspectivas promissoras para o controle futuro da infecção. Assim, a esporotricose representa uma infecção complexa que requer uma abordagem interdisciplinar e integrada entre medicina humana, veterinária e saúde pública, com o objetivo de conter sua expansão e reduzir o impacto clínico e social da doença.
References
O PRADO, C. M. et al. Sporothrix brasiliensis Treatment Failure without Initial Elevated Itraconazole MICs in Felids at Border of Brazil. Emerging Infectious Diseases, v. 31, n. 9, set. 2025.
EDUARDO, C.; REIS, R. M. Reemergence of zoonotic sporotrichosis in Brazil as a public health threat. Deleted Journal, v. 22, n. 1, 25 abr. 2025.
GABRIELA, A. et al. Rapid Molecular Diagnosis of Sporotrichosis Directly from Biological Samples from a Reference Center in Brazil. Journal of Fungi, v. 10, n. 6, p. 432–432, 18 jun. 2024.
GENG, H. et al. Development and evaluation of a rapid diagnostic method for Sporothrix globosa in Asia using quantitative real-time PCR. BMC Infectious Diseases, v. 24, n. 1, 14 ago. 2024.
LAZAMETH-DINIZ, N. F. et al. Clinical and Molecular Characterization of Feline Sporotrichosis in the Brazilian Amazon: PCR-Based Identification of Sporothrix brasiliensis. Animals, v. 15, n. 15, p. 2318, 7 ago. 2025.
MATUTE, D. R.; TEIXEIRA, M. DE M. Sporothrix is neglected among the neglected. PLOS Pathogens, v. 21, n. 3, p. e1012898, 6 mar. 2025.
RODRIGUES, A. M. et al. Current Progress on Epidemiology, Diagnosis, and Treatment of Sporotrichosis and Their Future Trends. Journal of Fungi, v. 8, n. 8, p. 776, 26 jul. 2022.
ROSSOW, J. A. et al. A One Health Approach to Combatting Sporothrix brasiliensis: Narrative Review of an Emerging Zoonotic Fungal Pathogen in South America. Journal of Fungi, v. 6, n. 4, p. 247–247, 26 out. 2020.
VASUROM AROONVUTHIPHONG; NORASUTHI BANGPHOOMI. Therapeutic alternatives for sporotrichosis induced by wild-type and non-wild-type Sporothrix schenckii through in vitro and in vivo assessment of enilconazole, isavuconazole, posaconazole, and terbinafine. Scientific Reports, v. 15, n. 1, 25 jan. 2025.
ZHU, G. et al. Disseminated subcutaneous sporotrichosis in an immunocompetent patient: A case report and a systematic literature review. Medical Mycology Case Reports, v. 50, p. 100739, dez. 2025.


