Tendência temporal de Hanseníase no município de Niterói (Rio de Janeiro): avaliação de 10 anos (2015 a 2024)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-266Keywords:
hanseníase, Niterói, estudo ecológicoAbstract
Justificativa: A hanseníase é uma doença infecciosa de grande relevância para a saúde pública no Brasil, que ocupa o segundo lugar em número de casos no mundo. Devido ao seu potencial para desenvolver dano neural irreversível, o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para alcançar uma cura sem sequelas. A cidade de Niterói está localizada no estado do Rio de Janeiro, e apesar de possuir uma taxa de detecção média, é circundada por municípios de maior incidência. Objetivos: Descrever o perfil da hanseníase e analisar a tendência temporal dos indicadores epidemiológicos no município de Niterói, num período de 10 anos a partir de 2015. Metodologia: Estudo ecológico sobre hanseníase nos últimos 10 anos (2015 a 2024) no município de Niterói. Os dados foram coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Resultados: De 01 de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2024, foram notificados 163 casos de hanseníase. A alta incidência em maiores de 40 anos (75,4%) e o predomínio de formas multibacilares (68,1%), indicam um declínio da endemia. A ausência de casos em menores de 15 anos nos últimos 5 anos corresponde a uma fase de interrupção da transmissão. Por outro lado, a proporção de contatos examinados apresentou parâmetro precário e houve aumento do percentual de casos já diagnosticados com grau 2 de incapacidade. Conclusões: Apesar da melhoria da maioria dos indicadores epidemiológicos, a proporção de contatos examinados com parâmetro precário, o aumento recente do percentual de casos diagnosticados com grau 2 de incapacidade, as iniquidades sociais e a adjacência com municípios que ainda não eliminaram a transmissão, demandam grande mobilização da assistência e da vigilância. Para superar esses desafios, serão fundamentais a capacitação continuada das equipes da Atenção Primária à Saúde para o diagnóstico precoce, programas de educação em saúde para a população, o enfrentamento ao estigma e as ações intersetoriais para mitigar os determinantes sociais.
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