Cetoacidose diabética: atualizações em fisiopatologia, diagnóstico e manejo clínico
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-261Keywords:
cetoacidose diabética, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamentoAbstract
A cetoacidose diabética (CAD) é uma das complicações mais graves do diabetes mellitus, representando uma emergência metabólica que exige reconhecimento precoce e intervenção imediata. Tradicionalmente associada à hiperglicemia acentuada, novas evidências indicam a ocorrência de formas euglicêmicas, frequentemente relacionadas ao uso de inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2). Essas apresentações atípicas podem dificultar o diagnóstico, já que a glicemia pode permanecer dentro da normalidade mesmo diante de acidose metabólica grave. Além disso, fatores precipitantes, como infecções, uso de antipsicóticos e imunoterapia, têm sido cada vez mais reconhecidos como desencadeantes da CAD, mesmo em pacientes previamente compensados, reforçando a necessidade de avaliação clínica abrangente e vigilância contínua. Do ponto de vista fisiopatológico, a CAD resulta de um déficit absoluto ou relativo de insulina, associado à elevação de hormônios contrarreguladores, como glucagon, cortisol e catecolaminas. Essa combinação provoca intensa lipólise e produção hepática de corpos cetônicos, principalmente acetoacetato e β-hidroxibutirato, gerando acidose metabólica e desidratação. O aumento da gliconeogênese e a redução da captação periférica de glicose agravam ainda mais a hiperglicemia, criando um ciclo de descompensação metabólica. Esse entendimento detalhado dos mecanismos envolvidos é essencial para a adoção de estratégias terapêuticas precisas e para a prevenção de complicações graves. O diagnóstico evoluiu, incorporando métodos laboratoriais rápidos e quantitativos para detecção de cetonas e avaliação de pH arterial e ânion gap. Tais parâmetros permitem diferenciar formas clássicas e euglicêmicas, evitando atrasos no tratamento. Em contextos hospitalares, a CAD adquirida apresenta maior morbimortalidade, exigindo monitoramento intensivo e abordagem multiprofissional. O manejo clínico atual prioriza reposição hídrica, correção de distúrbios eletrolíticos e administração criteriosa de insulina, ajustados continuamente conforme a resposta do paciente. Identificação e tratamento de fatores precipitantes, educação do paciente e acompanhamento multidisciplinar são essenciais para prevenir recorrências. Dessa forma, o cuidado com a CAD transcende a intervenção emergencial, incorporando prevenção, reabilitação metabólica e promoção do autocuidado.
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