Impacto das desigualdades sociodemográficas nas internações por doença diverticular intestinal no Brasil: um estudo ecológico (2013 a 2024)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-237Keywords:
doenças diverticulares, fatores sociodemográficos, hospitalização, dinâmica populacional, epidemiologiaAbstract
Objetivo: Analisar o impacto das desigualdades sociodemográficas nas internações hospitalares por doença diverticular intestinal no Brasil, no período de 2013 a 2024, identificando padrões espaciais e temporais que possam contribuir para políticas públicas mais equitativas. Métodos: Estudo ecológico analítico utilizando dados secundários públicos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídas internações com diagnóstico principal CID-10 K57 entre janeiro de 2013 e dezembro de 2024. As variáveis analisadas abrangeram número e proporção de internações por região, faixa etária, raça/cor da pele, modalidade de internação (eletiva ou urgência), tempo médio de permanência hospitalar, óbitos e custos hospitalares totais. A associação entre índice de envelhecimento populacional e número de internações por região foi avaliada por coeficiente de correlação de Pearson. Foram aplicados testes para avaliação das tendências temporais e cálculo de intervalos de confiança (95%) para taxas de mortalidade e custos. Análises realizadas no software R (v.4.5.1). Resultados: Foram contabilizadas 107.039 internações por doença diverticular intestinal no Brasil, com aumento anual de cerca de 2214% entre 2013 e 2024 (de 536 para 12.406 internações/ano). A faixa etária mais acometida foi de 60 a 69 anos (24,7%). As regiões Sudeste e Sul concentraram 78,09% dos casos, com índice de envelhecimento populacional mais elevado nessas regiões. Observou-se forte correlação positiva entre o índice de envelhecimento e o número de internações por região (r = 0,77), embora sem significância estatística (p = 0,13). A taxa de mortalidade específica nacional em 2022 foi de 0,28 por 100.000 habitantes (IC 95%: 0,26–0,30), sendo maior nas regiões Sudeste (0,45) e Centro-Oeste (0,36). Internações em caráter urgente correspondiam a 89,2% do total, com taxa de mortalidade de 7,16% (IC 95%: 6,98–7,34), significativamente superior à taxa de internações eletivas (3,3%, IC 95%: 3,02–3,58). O custo total das internações acumulou-se em aproximadamente R$194,7 milhões no período. Conclusão: O envelhecimento populacional e as desigualdades regionais influenciam significativamente as internações por doença diverticular intestinal no Brasil, com predomínio das internações emergenciais e elevada mortalidade associada. Os dados ressaltam a urgente necessidade de políticas públicas voltadas para diagnóstico precoce, manejo ambulatorial eficaz e redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde, especialmente para população idosa.
References
BARBARO, M. R. et al. Pathophysiology of Diverticular Disease: From Diverticula Formation to Symptom Generation. International Journal of Molecular Sciences, v. 23, n. 12, p. 6698, 1 jan. 2022. DOI: 10.3390/ijms23126698
CLAUDINO, G. DE C. et al. Atualizações acerca da diverticulite aguda: Aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e clínicos. Research, Society and Development, v. 13, n. 3, p. e1613345198–e1613345198, 8 mar. 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i3.45198
FANTOZZI, B. G.; DE SOUSA, A. V. Doença Diverticular e Diverticulite Aguda: atualização de manejo e métodos cirúrgicos indicados / Diverticular Disease and Acute Diverticulitis: updated management and indicated surgical methods. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 4, p. 42844–42855, 28 abr. 2021. DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-649
IBGE | Biblioteca | Detalhes | Censo Demográfico 2022 : população por idade e sexo : pessoas de 60 anos ou mais de idade : resultados do universo : Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102038>. Acesso em: 28 jul. 2025.
ROSESTOLATO, E. F. et al. ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA DOENÇA DIVERTICULAR NA REGIÃO SUDESTE EM COMPARATIVO COM O BRASIL NOS ÚLTIMOS 11 ANOS. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 7, p. 1119–1130, 30 jul. 2022. DOI: 10.51891/rease.v8i7.6397.
SCHULTZ, J. K. et al. European Society of Coloproctology: guidelines for the management of diverticular disease of the colon. Colorectal Disease, v. 22, n. S2, p. 5–28, 7 jul. 2020. DOI: 10.1111/codi.15140
SILVA, A.C.S et al. Perfil clínico e epidemiológico de pacientes acometidos com diverticulite. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 4, p. 515–532, 9 abr. 2025. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n4p515-532
SILVA, A. A. C. et al. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E TERAPÊUTICOS DA DOENÇA DIVERTICULAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 8, p. 2524–2531, 21 ago. 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i8.15279
Tábuas Completas de Mortalidade | IBGE. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9126-tabuas-completas-de-mortalidade.html?edicao=18026>. Acesso em: 8 ago. 2025.
VIOLI, A. et al. Epidemiology and risk factors for diverticular disease. Acta Bio Medica : Atenei Parmensis, v. 89, n. Suppl 9, p. 107–112, 2018. DOI: 10.23750/abm.v89i9-S.7924


