Avaliação do comportamento de uma paciente com Esclerose Mesial Temporal após o uso associado de medicamentos psicotrópicos e Canabidiol
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-228Keywords:
Esclerose Mesial Temporal, Canabidiol (CBD), crises epilépticas, efeitos adversos, avaliação cognitivaAbstract
Este estudo de caso avaliou uma paciente de 32 anos com Esclerose Mesial Temporal (EMT), diagnosticada aos nove anos, que, apesar da medicação convencional, apresentava crises epilépticas graves e frequentes (3-4 vezes/semana). Antes da adição do canabidiol (CBD) aos 30 anos, seu perfil comportamental e emocional era estável, com bom humor e sono preservado. A persistência de crises refratárias sublinha a necessidade de terapias adjuvantes. Após 15 dias de tratamento combinado de CBD (34,36 mg/ml, 10 gotas/dia) e psicotrópicos, houve atenuação da gravidade das crises convulsivas. Contudo, aos 28 dias, surgiram reações adversas significativas, incluindo insônia, apatia, humor inibido, inapetência, desinteresse social, desorientação e depressão acentuada. Avaliações indicaram depressão moderada (BDI 28) e ansiedade moderada (BAI 25) , um agravamento paradoxal das comorbidades psiquiátricas. Neuropsicologicamente, observou-se dificuldade acentuada na memória episódica (curto prazo), compatível com EMT do lobo temporal esquerdo. Funções como atenção seletiva, planejamento, flexibilidade mental (com perseveração), nomeação e fluência verbal semântica também foram prejudicadas. Dificuldades significativas em habilidades de construção visuoespacial sugeriram comprometimento do hemisfério direito. Este perfil de déficits específicos aponta para um impacto direcionado em redes neurais já vulneráveis. O caso destaca que, embora o CBD possa reduzir a frequência das crises, sua interação com psicotrópicos pode induzir um perfil complexo de efeitos neuropsiquiátricos e cognitivos adversos, exigindo monitoramento rigoroso e uma abordagem multidisciplinar para gerenciar a saúde mental e cognitiva do paciente. A resposta individual e a carência de dados sobre farmacocinética e farmacodinâmica justificam a necessidade urgente de mais pesquisas.
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