Impasses ético institucionais do Hospital São Vicente de Paulo a partir da lógica antimanicomial no Distrito Federal
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-207Keywords:
saúde mental, reforma psiquiátrica, luta antimanicomial, luta antimanicomial no Brasil, Reforma Psiquiátrica no Distrito FederalAbstract
Este trabalho investiga os impasses ético-institucionais presentes no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), no Distrito Federal, à luz da lógica antimanicomial. A pesquisa parte da constatação de que, apesar dos avanços da Reforma Psiquiátrica brasileira, ainda persistem práticas que reproduzem a lógica manicomial nas instituições psiquiátricas. O objetivo é compreender como esses impasses se manifestam no interior do HSVP, a partir da escuta de sujeitos que vivenciaram a internação psiquiátrica. Com base em uma abordagem qualitativa de inspiração fenomenológico-existencial, foram analisados relatos que revelam experiências marcadas por medicalização, ausência de escuta e fragilidade institucional. Conclui-se que o HSVP ainda opera sob práticas hierarquizadas e excludentes, em desacordo com os princípios humanizantes e emancipatórios da Reforma Psiquiátrica, evidenciando a necessidade de transformações éticas e institucionais no campo da saúde mental.
References
AMARANTE, Paulo; NUNES, Mônica. A reforma psiquiátrica no SUS e a luta antimanicomial. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 6, p. 2067-2074, 2018.
ARGENTINO, Paola. La psicoterapia de la Gestalt como terapia de comunidade. In:
Barcelona: Gedisa, 2002.
BRUNS, Maria Alves de Toledo; HOLANDA, Adriano. Fenomenologia e pesquisa em psicologia. São Paulo: Thomson Learning, 2003.
CORADO, Roberta de Oliveira. A rede de atenção psicossocial no Distrito Federal: avanços e desafios. Brasília: Secretaria de Saúde do Distrito Federal, 2016.
COSTA, Nilson do Rosário. Saúde mental no Brasil: políticas e sistemas de saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2000.
DIMENSTEIN, Magda; MACEDO, João Pedro. Psicologia e política de saúde mental: produção de sentidos e práticas no contexto da reforma psiquiátrica. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 32, n. 4, p. 854-869, 2012.
GLORIA, D.; LIMA, A. A persistência da lógica manicomial no Brasil. Revista de Saúde Mental e Sociedade, Brasília, v. 2, n. 1, p. 35-47, 2004.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo, Perspectiva, 1961/2015.
GUIMARÃES, Maria das Graças; et al. Medicalização e práticas de contenção em saúde mental. Revista Psicologia em Pesquisa, Juiz de Fora, v. 7, n. 2, p. 172-182, 2013.
HOLANDA, Adriano. Fenomenologia e Psicologia: aproximações e possibilidades. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10, n. 2, p. 277-283, 2005.
Lobb, Margherita Spagnuolo. Psicoterapia de la Gestalt: Hermenéutica y clínica.
MOURA, Ana Carolina de Souza. Ambientes institucionais e subjetividade: impactos da lógica manicomial. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 45-60, 2020.
OLIVEIRA, Romildo do Nascimento. A escuta no cuidado em saúde mental: desafios e possibilidades. Revista Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 33, n. 81, p. 127-136, 2009.
PACHECO, Milton. Loucura e diferença: perspectivas para a saúde mental no Brasil. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.
SILVA, Lúcia Maria Pereira. Políticas públicas e a rede de atenção em saúde mental no Distrito Federal. Brasília: UNB, 2022.


