Quem são as mulheres que mais sofrem com a mortalidade materna no Brasil?

Authors

  • Amanda Vanessa de Melo Sampaio Sampaio
  • Ana Carolina Ribeiro Machado
  • Palloma Oliveira de França
  • Victória Agnes Arino Corrêa
  • Jaqueline Suélen Sulzbach

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-085

Keywords:

gravidez de alto risco, mortalidade materna, epidemiologia, cuidado pré-natal, período pós-parto

Abstract

A gestação é um período único na vida da mulher, mas pode apresentar desfechos negativos, especialmente em casos de alto risco. A mortalidade materna, nesse contexto, é um importante indicador da qualidade da assistência obstétrica. Nisso, este estudo teve como objetivo analisar, de forma quantitativa, os óbitos maternos no Brasil entre 2013 e 2023, a partir de dados disponíveis no DATASUS. Foram investigadas variáveis como número de óbitos por ano; distribuição por região, faixa etária, estado civil, etnia, escolaridade; causas obstétricas diretas e indiretas e etiologia segundo o CID-10. A média anual de óbitos no período foi de 1.718. As regiões Norte e Nordeste apresentaram os maiores coeficientes de mortalidade. As faixas etárias com maior mortalidade foram 50–59, 40–49 e 30–39 anos. Os cinco CID-10 mais comuns com etiologia específica foram: O15 (eclâmpsia), O14 (hipertensão gestacional com proteinúria), O72 (hemorragia pós-parto), O88 (embolia obstétrica) e O85 (infecção puerperal). Contudo, os códigos mais frequentemente registrados foram O99 e O98, que não indicam causa específica. Gestantes pretas apresentaram o maior coeficiente de mortalidade (118,65), seguidas por indígenas e pardas. A ausência de escolaridade foi associada ao maior risco (283), seguida por 1–3 e 4–7 anos de estudo. Além disso, gestantes viúvas e separadas apresentaram maior mortalidade em relação às demais. Os resultados demonstram que determinantes sociais como etnia, escolaridade, estado civil e região geográfica influenciam diretamente o risco de morte materna, evidenciando a necessidade de políticas públicas mais equitativas.

References

ALVES, T. O. et al. Gestação de alto risco: epidemiologia e cuidados, uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 4, p. 14860–14872, 2021.

ALVES, R. P. et al. Mortalidade materna em tempos de pandemia de COVID-19: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 4, e28711426942, 2022.

BARRETO, B. L. Perfil epidemiológico da mortalidade materna no Brasil no período de 2015 a 2019. Revista Enfermagem Contemporânea, Salvador, v. 10, n. 1, p. 127–133, 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS: Informações de Saúde – TabNet.

DIAS, J. M. G. et al. Mortalidade materna. Revista Médica de Minas Gerais, v. 25, n. 2, p. 173–179, 2015.

FERNANDES, J. A. et al. Avaliação da atenção à gestação de alto risco em quatro metrópoles brasileiras. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 5, e00120519, 2020.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rendimento domiciliar per capita sobe 16,5% e atinge R$ 1.893 em 2023. Agência de Notícias IBGE, Rio de Janeiro, 28 fev. 2024.

MARTINS, A. C. S.; SILVA, L. S. Perfil epidemiológico de mortalidade materna. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. 1677-683, 2018.

MEDEIROS, F. F. et al. Acompanhamento pré-natal da gestação de alto risco no serviço público. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, n. 3, p. 213-220, 2019.

RIBEIRO, J. F. et al. Caracterização das principais causas de óbito materno ocorridos no estado do Piauí no período 2010 a 2019. In: GESTÃO DO TRABALHO, EDUCAÇÃO E SAÚDE: DESAFIOS AGUDOS E CRÔNICOS – VOLUME 2. Editora Científica, p. 310-321, 2021.

RODRIGUES, A. R. M. et al. Gravidez de alto risco: análise dos determinantes de saúde. Sanare, Sobral, v. 16, n. 1, p. 23-28, 2017.

SAMPAIO, A. F. S. et al. Gestação de alto risco: perfil clínico-epidemiológico das gestantes atendidas no serviço de pré-natal da maternidade pública de Rio Branco, Acre. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 18, n. 3, p. 567-575, 2018.

Published

09/19/2025

How to Cite

SAMPAIO, A. V. de M. S.; MACHADO, A. C. R.; FRANÇA, P. O. de; CORRÊA, V. A. A.; SULZBACH, J. S. Quem são as mulheres que mais sofrem com a mortalidade materna no Brasil?. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 5, p. e82258, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n5-085. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/82258. Acesso em: 18 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers