Comparação do fluxo e da evolução de pacientes ortopédicos idosos antes e durante a pandemia do SARS-CoV-2 em hospital universitário

Authors

  • Julia Mendes Lopes
  • Millena Ceruti Lass
  • Laura Bittencourt Valle Perussolo
  • Maria Eduarda Jabuonski Antosz
  • Giana Silveira Giostri
  • Eduardo Murilo Novak

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-047

Keywords:

idosos, SARS-CoV-2, fratura no idoso, COVID-19

Abstract

INTRODUÇÃO: A infecção por COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2 e declarada pandemia mundial pela Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, demandou uma reorganização dos sistemas de saúde, priorizando pacientes críticos e suspendendo atendimentos eletivos. O envelhecimento populacional, associado à vulnerabilidade intrínseca dos idosos a quedas e comorbidades, tornou essa faixa etária um grupo de preocupação relevante durante a pandemia. Estudos prévios sugerem uma redução nos atendimentos de traumas e fraturas devido ao isolamento social, contudo, os impactos sobre o manejo ortopédico ainda necessitam de maior investigação. OBJETIVO: Comparar o fluxo do atendimento de fraturas e o manejo de idosos atendidos em um hospital de referência em trauma nos períodos pré-pandêmico e pandêmico.  MÉTODO: Estudo de coorte retrospectivo, comparando dados de prontuários de pacientes com 60 anos ou mais, admitidos em critérios de urgência ou emergência em hospital universitário. Foram eleitos dois períodos para agrupamento de dados: 17 de janeiro de 2020 a 16 de março de 2020 (grupo “pré-pandêmico”) e 17 de março de 2020 a 16 de maio de 2020 (grupo “pandêmico”), que foram analisados por critérios estatísticos. RESULTADOS: De 1389 prontuários triados, 389 encaixaram-se nos critérios de inclusão, sendo 197 no grupo período pré-pandêmico e 192 no pandêmico. Os grupos foram semelhantes quanto ao sexo (masculino pré-pandêmico: 71,1%; pandêmico: 69,3%, feminino pré-pandêmico 28,9%; pandêmico 30,7%; p=0,740) e idade (pré-pandêmico 72,6 ± 9,2; 72 (60 - 95); pandêmico 72,3 ± 9,2; 71 (60 - 97); p=0,754). As doenças mais prevalentes nos pacientes em ambos os períodos foram Hipertensão arterial, diabetes e doença isquêmica cerebral ou neurodegenerativa. Fraturas em terço proximal do fêmur, distal do antebraço, proximal do úmero e distal da perna foram as mais frequentes nos dois grupos, mantendo-se a proporção de lesões em cada segmento analisado. Entretanto, no período pandêmico, um maior número de pacientes foi internado e submetido a cirurgia para tratamento de fraturas, (pré-pandêmico 49,7%; pandêmico 68,8%. p<0,001), sendo significativamente menor o tempo entre admissão hospitalar e cirurgia nesse período [mediana pré-pandêmico: 1 (0-33) vs. Mediana pandêmico 1 (0-10), p=0,008]. CONCLUSÃO: Embora a quantidade e a localização das fraturas em idosos não tenham apresentado diferenças estatisticamente significativas entre os períodos pré-pandêmico e pandêmico, verificou-se que durante a pandemia houve um aumento no número de tratamentos cirúrgicos realizados, com intervenções acontecendo de forma mais precoce, o que sugere uma maior gravidade dos casos que chegaram aos hospitais nesse período. Sendo assim, esses achados destacam a necessidade de estratégias adaptativas para o manejo ortopédico de idosos em cenários de crise sanitária.

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Published

09/09/2025

How to Cite

LOPES, J. M.; LASS, M. C.; PERUSSOLO, L. B. V.; ANTOSZ, M. E. J.; GIOSTRI, G. S.; NOVAK, E. M. Comparação do fluxo e da evolução de pacientes ortopédicos idosos antes e durante a pandemia do SARS-CoV-2 em hospital universitário. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 5, p. e82062, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n5-047. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/82062. Acesso em: 18 oct. 2026.

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Original Papers