Prevalência de lesões de HPV em mulheres com lúpus eritematoso sistêmico

Authors

  • Patrícia Dias Silva e Sá
  • Daniel de Jesus Dias Ferraz
  • Taciana Albuquerque Sampaio Carvalho

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n5-031

Keywords:

lúpus eritematoso sistêmico, HPV, papilomavírus humano, saúde da mulher, reumatologia, neoplasia e câncer do colo do útero

Abstract

Introdução: O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica, em que há produção de autoanticorpos e de imunocomplexos, os quais resultam em inflamação em diversos órgãos. Além disso, seu tratamento requer um conjunto de medidas de mudanças de estilo de vida, associado a medidas farmacológicas, as quais envolvem medicações imunossupressoras e imunomoduladoras. Desse modo, a redução da capacidade dos pacientes com LES em responder aos antígenos, tanto pela imunodepressão causada pela doença quanto pelo tratamento imunossupressor prolongado, relaciona-se a um maior risco de infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) e de desenvolvimento de displasias e neoplasias no colo uterino secundárias a essa infecção. Objetivos: O presente estudo visa conhecer a relação de prevalência de lesões no colo do útero decorrentes da infecção pelo HPV em pacientes com LES acompanhadas no ambulatório de reumatologia em um hospital público de referência da Secretária de Saúde do Distrito Federal. Consequentemente, espera-se compreender a importância da indicação do acompanhamento ginecológico em pacientes reumatológicas, identificar o grau da lesão por HPV das pacientes reumatológicas, relacionar a atividade ou remissão do LES com as lesões por HPV e conhecer o perfil das pacientes reumatológicas. Metodologia: Para tanto, este estudo é do tipo retrospectivo observacional transversal, em que foram utilizados dados de prontuários de pacientes diagnosticadas com LES, segundo os critérios SLICC, atendidas no ambulatório de reumatologia de um Hospital Público no Distrito Federal entre 2021 e 2023. Foram incluídas 17 pacientes que realizaram acompanhamento ginecológico com exames como colpocitologia, colposcopia e biópsia de colo uterino, de acordo com indicação médica. Os dados coletados incluíram informações demográficas, histórico médico, resultados de exames ginecológicos e detalhes sobre o tratamento do LES.

Resultados e discussão: A prevalência de infecção pelo HPV possui um padrão bimodal, com picos de incidência entre 20-30 anos e após os 50 anos. Neste estudo, 41,17% das pacientes estavam dentro dessas faixas etárias de maior risco, com média de idade de 39,23 anos. Observou-se que fatores como multiparidade e idade precoce da coitarca, que aumentam a exposição ao HPV, estavam presentes em uma parcela significativa das participantes. Apesar disso, a média de paridade (1,47) foi inferior à média nacional (1,57), sugerindo que a alta prevalência de lesões intraepiteliais cervicais nas pacientes com LES pode estar mais relacionada ao comprometimento imunológico causado pela doença e pelas terapias imunossupressoras do que aos fatores reprodutivos e sexuais isolados. A duração média do diagnóstico de LES (10,53 anos) reforça a hipótese de que a imunossupressão prolongada pode aumentar o risco de infecção persistente por HPV e progressão para lesões precursoras de neoplasias. Além disso, os dados mostraram prevalências significativamente maiores de alterações cervicais, como ASCUS (17,64%), LIEAG (5,88%), e NIC 1 (23,52%) entre as pacientes com LES, quando comparados com a população geral. Esses achados indicam uma possível correlação entre a atividade do LES e o uso de terapias imunossupressoras e com o aumento das lesões cervicais. As limitações do estudo, como o pequeno tamanho amostral e a escassez de dados nacionais específicos, ressaltam a necessidade de mais pesquisas para elucidar a relação entre LES e infecção por HPV. Conclusão: O estudo evidenciou que pacientes com LES apresentam uma maior prevalência de alterações ginecológicas, como lesões intraepiteliais cervicais, em comparação com a população geral, corroborando achados de pesquisas anteriores. Esses resultados destacam a importância de incentivar a vacinação contra HPV entre essas pacientes, mesmo fora dos programas nacionais de imunização. Além disso, o acompanhamento ginecológico rigoroso é fundamental para o rastreamento precoce e manejo adequado das lesões, prevenindo complicações graves como o câncer cervical. Estudos futuros com amostras maiores são essenciais para fortalecer as conclusões sobre a relação entre HPV e LES.

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Published

09/08/2025

How to Cite

SÁ, P. D. S. e; FERRAZ, D. de J. D.; CARVALHO, T. A. S. Prevalência de lesões de HPV em mulheres com lúpus eritematoso sistêmico. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 5, p. e82028, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n5-031. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/82028. Acesso em: 19 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers