Manejo do abdome agudo perfurativo: desafios e condutas em emergências
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n4-230Keywords:
abdome agudo perfurativo, diagnóstico, epidemiologia, etiologia, tratamentoAbstract
O abdome agudo perfurativo constitui uma emergência cirúrgica grave, caracterizada por súbita ruptura da integridade da parede gastrointestinal, levando à contaminação da cavidade peritoneal e instalação de peritonite. A apresentação clínica é variável, mas frequentemente envolve dor abdominal intensa e difusa, sinais de irritação peritoneal, febre e instabilidade hemodinâmica. O diagnóstico exige integração entre dados clínicos, exames laboratoriais e métodos de imagem, como a tomografia computadorizada e o ultrassom gastrointestinal, que permitem identificar o local e a causa da perfuração, bem como avaliar complicações associadas. Na avaliação pré-operatória, é fundamental a estabilização hemodinâmica e o controle de distúrbios hidroeletrolíticos, além da instituição precoce de antibioticoterapia de amplo espectro. As considerações anestésicas incluem a necessidade de indução rápida, manejo de via aérea em pacientes instáveis e prevenção de complicações respiratórias e cardiovasculares no perioperatório. A escolha da estratégia cirúrgica depende da etiologia, extensão da contaminação e condições clínicas do paciente. Técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia, vêm ganhando espaço em casos selecionados, oferecendo menor morbidade e recuperação mais rápida, enquanto a laparotomia permanece indicada em cenários complexos ou com instabilidade hemodinâmica. O manejo pós-operatório demanda monitorização intensiva, prevenção de infecção, suporte nutricional e vigilância para complicações, como abscessos intra-abdominais, fístulas e falência de múltiplos órgãos. O controle de peritonite terciária requer abordagem multidisciplinar e, por vezes, intervenções cirúrgicas repetidas. Nos últimos anos, avanços em técnicas de imagem, métodos de fechamento abdominal temporário e terapias antimicrobianas têm aprimorado o prognóstico desses pacientes. Perspectivas futuras apontam para o uso ampliado de protocolos individualizados, integração de inteligência artificial no diagnóstico e maior aplicação de técnicas minimamente invasivas, mesmo em contextos de emergência. Apesar dos progressos, a morbimortalidade ainda é significativa, reforçando a necessidade de diagnóstico rápido, abordagem sistemática e tratamento precoce para melhorar os desfechos.
References
ALZAHRANI, M. A. et al. The Saudi Gastroenterology Association consensus on the clinical care pathway for the diagnosis and treatment of GERD. Saudi Journal of Gastroenterology, v. 30, n. 6, p. 353–368, 30 maio 2024.
ALOIS HOLLERWEGER et al. Gastrointestinal Ultrasound (GIUS) in Intestinal Emergencies – An EFSUMB Position Paper. Ultraschall in der Medizin - European Journal of Ultrasound, v. 41, n. 06, p. 646–657, 20 abr. 2020.
BASS, G. A. et al. Tertiary peritonitis: considerations for complex team-based care. European Journal of Trauma and Emergency Surgery, v. 48, n. 2, p. 811–825, 24 jul. 2021.
CHUNG, K. T.; SHELAT, V. G. Perforated peptic ulcer - an update. World Journal of Gastrointestinal Surgery, v. 9, n. 1, p. 1–1, 1 jan. 2017.
DEBNATH, J.; GEORGE, R. A.; RAVIKUMAR, R. Imaging in acute appendicitis: What, when, and why? Medical Journal Armed Forces India, v. 73, n. 1, p. 74–79, jan. 2017.
DEMIR, M. K. et al. Imaging Findings of the Unusual Presentations, Associations and Clinical Mimics of Acute Appendicitis. Eurasian Journal of Medicine, v. 49, n. 3, p. 198–203, 25 out. 2017.
IETTO, G. et al. Laparoscopy in Emergency: Why Not? Advantages of Laparoscopy in Major Emergency: A Review. Life, v. 11, n. 9, p. 917–917, 3 set. 2021.
ICHITE, A. et al. Assessing the Preliminary Efficacy of a Nonrandomized, Clinic-Based HIV Risk Reduction Pilot Intervention for PrEP-Initiated, Alcohol- and Other Drug-Using Women of Color in Miami, FL. Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, v. 10, n. 6, p. 3077–3094, 17 jan. 2023.
JIMENEZ, R. M. et al. Laparoscopic approach in gastrointestinal emergencies. World Journal of Gastroenterology, v. 22, n. 9, p. 2701–2701, 1 jan. 2016.
KIM, S. Q. et al. Protein-Restricted Diets and Their Impact on Metabolic Health and Aging. Annual Review of Nutrition, 13 maio 2025.
LAI, C.-C.; HUANG, H.-C.; CHEN, R.-J. Combined stomach and duodenal perforating injury following blunt abdominal trauma: a case report and literature review. BMC Surgery, v. 20, n. 1, 2 out. 2020.
LI, J. Revisiting delayed appendectomy in patients with acute appendicitis. World Journal of Clinical Cases, v. 9, n. 20, p. 5372–5390, 7 jul. 2021.
PAOLANTONIO, P. et al. Multidetector CT in emergency radiology: acute and generalized non-traumatic abdominal pain. British Journal of Radiology, v. 89, n. 1061, p. 20150859–20150859, 21 dez. 2015.
PAVLIDIS, E. T.; PAVLIDIS, T. E. Current Aspects on the Management of Perforated Acute Diverticulitis: A Narrative Review. Cureus, 26 ago. 2022.
ROBERTS, D. J. et al. The open abdomen in trauma, acute care, and vascular and endovascular surgery: comprehensive, expert, narrative review. BJS Open, v. 7, n. 5, 5 set. 2023.
S PATTANAYAK; S BEHURIA. Is abdominal tuberculosis a surgical problem? Annals of The Royal College of Surgeons of England, v. 97, n. 6, p. 414–419, 14 ago. 2015.
YAN, W.; POMERLEAU, A. C.; LIANG, J. Acute parenteral poisoning from calcium copper edetate. Clinical Toxicology, p. 1–2, 16 maio 2025.
ZHOU, X. et al. Perforated appendicitis after colonoscopy. Medicine, v. 96, n. 46, p. e8747–e8747, 1 nov. 2017.
ZIZZO, M. et al. Damage control surgery for the treatment of perforated acute colonic diverticulitis. Medicine, v. 99, n. 48, p. e23323–e23323, 23 nov. 2020.


