Análise de aflatoxinas totais e as condições de armazenamento do amendoim seco comercializado nos mercados da cidade de Nampula
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n4-188Keywords:
amendoim, aflatoxinas, humidade, mercados informais, segurança alimentar, MoçambiqueAbstract
O amendoim (Arachis hypogaea) é um dos principais produtos de consumo e exportação em Moçambique, cuja aceitação no mercado depende de diversos fatores, como o nível de contaminação por aflatoxinas. O presente estudo teve como objetivo analisar o teor de aflatoxinas totais e as condições de armazenamento do amendoim seco comercializado nos mercados da cidade de Nampula. A pesquisa foi realizada entre junho e julho de 2022 em quatro mercados representativos: Waresta, 25 de Junho, Faina e Belenenses. Foram recolhidas 19 amostras de amendoim seco, posteriormente analisadas no Laboratório de Fitopatologia e Micotoxinas do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), onde se determinaram os teores de humidade (%) e de aflatoxinas totais (µg/kg). Os resultados demonstraram que a humidade das amostras variou entre 8,2% e 9,4%, estando todas abaixo do limite crítico de 11% estabelecido pelo Codex Alimentarius, o que indica condições adequadas de secagem. No entanto, em relação às aflatoxinas, três dos quatro mercados apresentaram níveis superiores aos limites máximos permitidos pela FDA (15 µg/kg) e pela União Europeia (20 µg/kg), com destaque para os mercados 25 de Junho e Faina, cujos valores chegaram a 64,1 µg/kg e 63,4 µg/kg, respetivamente. Apenas o mercado Belenenses apresentou todas as amostras dentro dos limites estabelecidos. Verificou-se ainda que as condições de armazenamento são, em geral, inadequadas e que o conhecimento dos comerciantes sobre boas práticas de prevenção de micotoxinas é limitado. Conclui-se que, apesar dos níveis de humidade estarem dentro dos padrões aceitáveis, a elevada contaminação por aflatoxinas representa um risco significativo à saúde pública, sendo necessárias intervenções urgentes no sentido de melhorar a segurança alimentar na cidade de Nampula.
References
Abbas, M., & Mosca, J. (2021). Análise ao Inquérito Agrário Integrado–IAI 2020 (Vol. 35, No. 335,754, pp. 176-015).
Agroindustriais, P. (2013). AOAC. Official methods of analysis of the Association of Official Analytical Chemists. Caracterização, Propagação E Melhoramento Genético De Pitaya Comercial E Nativa Do Cerrado, 26(74), 62.
Codex Alimentarius Comission (2019)–CAC. Revised Codex Standard for Honey,Rev.2[2001].Disponívelem:http://www.codexalimentarius.net/downloadstan dards/310/CX5012e.pdf. Acesso em 17 Janeiro.
Codex Alimentarius. (2019). General standard for contaminants and toxins in food and feed (CODEX STAN 193-1995). FAO/WHO. http://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius
FAO, F. A. O. S. T. A. T. (2018). Food and agriculture organization of the United Nations. Rome, URL: http://faostat. fao. org, 403.
Food and Agriculture Organization – FAO. (2021). Mycotoxin prevention and control in foodgrains. FAO Corporate Document Repository. https://www.fao.org
Guchi, E. (2015). Implication of aflatoxin contamination in agricultural products. American Journal of Food and Nutrition, 3(1), 12-20.
Martins, R. D. F. F. (2023). Identificação e quantificação de fungos e aflatoxinas em amendoim (Arachis hypogaea L).
Ostry, V., Malir, F., Toman, J., & Grosse, Y. (2017). Mycotoxins as human carcinogens—the IARC Monographs classification. Mycotoxin research, 33(1), 65-73.
Pitt, J. I., & Hocking, A. D. (2009). Fungi and food spoilage (Vol. 519, p. 388). New York: Spring. Santos, A. C., & Guedes, M. D. C. S. (2021). Aflatoxinas em alimentos: potencial carcinogênico hepático. Centro Universitário Campo Limpo Paulista, 26(11).
SETSAN. (2015) Relatório de Monitoria da Situação de Segurança Alimentar e Nutricional. Maputo: Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar.
Silva, L. M. P. D., & Hirosse, N. E. (2023). Contaminação do amendoim por aflatoxina e risco para a saúde humana.
U.S. Food and Drug Administration – FDA. (2020). Guidance for Industry: Action Levels for Aflatoxins in Animal and Human Foods. https://www.fda.gov


