Utilidade do Hormônio Anti-Mulleriano (AMH) na predição da Síndrome do Ovário Policístico (SOP)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n4-041Keywords:
Síndrome dos Ovários Policísticos, Hormônio Antimülleriano, diagnósticoAbstract
Introdução: A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é reconhecida como uma das principais causas de infertilidade anovulatória, afetando entre 5% e 10% das mulheres em idade reprodutiva. Essa condição caracteriza-se por um conjunto heterogêneo de sinais e sintomas, incluindo hiperandrogenismo, distúrbios ovulatórios, morfologia ovariana policística e alterações metabólicas. As ferramentas bioquímicas tradicionalmente utilizadas para o diagnóstico da SOP apresentam limitações quanto à sensibilidade e especificidade, o que dificulta uma identificação precisa da síndrome. Nas últimas décadas, o hormônio antimülleriano (AMH) tem ganhado destaque como possível marcador auxiliar no diagnóstico da SOP. Diversos estudos apontam que mulheres com essa condição apresentam níveis séricos de AMH superiores aos observados em mulheres sem a síndrome. Objetivo: Avaliar a utilidade do AMH na predição diagnóstica da SOP. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Foram utilizados os descritores em inglês: “Anti-Müllerian Hormone”, “Polycystic Ovary Syndrome” e “Diagnosis”, combinados pelo operador booleano AND. Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos publicados entre 2013 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a associação entre os níveis de AMH e o diagnóstico da SOP. Foram excluídos estudos duplicados nas bases de dados, artigos cujo conteúdo não fosse compatível com o tema proposto ou cujo resumo não atendesse aos objetivos da pesquisa. Resultados e discussão: A análise dos artigos selecionados evidenciou que mulheres com SOP apresentam níveis séricos de AMH elevados em comparação com controles saudáveis, reforçando o potencial desse biomarcador na predição da síndrome. Entretanto, fatores como faixa etária, etnia, presença de comorbidades e métodos laboratoriais distintos influenciam diretamente os valores de referência do AMH, dificultando o estabelecimento de um ponto de corte diagnóstico único. Os estudos revisados sugerem valores de limiar que variam entre 4 e 7 ng/mL, porém destacam a necessidade de novas investigações, com amostras maiores e métodos padronizados, para validar esses intervalos em diferentes apresentações clínicas da SOP. As diretrizes mais recentes reconhecem o AMH como uma alternativa à ultrassonografia na avaliação da morfologia ovariana, mas alertam para a necessidade de interpretação cuidadosa, especialmente em adolescentes. Conclusão: Embora o AMH seja um biomarcador promissor e reconhecido como alternativa à ultrassonografia na avaliação da morfologia ovariana, sua interpretação ainda exige cautela. A ausência de um ponto de corte universal, as diferenças etárias e a heterogeneidade dos métodos de dosagem limitam seu uso isolado no diagnóstico da SOP. Novos estudos, com populações diversas e protocolos padronizados, são necessários para definir melhor seu papel clínico.
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