Processo de cuidado de crianças com necessidades especiais de saúde na Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n4-040Keywords:
CRIANES, estratégia de saúde da família, atenção primária à saúdeAbstract
O aumento das Crianças com Necessidades Especiais de Saúde (CRIANES), atualmente estimadas em até 25% da população infantil brasileira, inclui desde portadores de doenças raras e complexas até crianças com sequelas de prematuridade, asma grave e paralisia cerebral. Essas crianças necessitam de cuidados prolongados que envolvem uso de dispositivos tecnológicos (gastrostomia, traqueostomia, oxigenoterapia), terapias contínuas e acompanhamento multiprofissional. O objetivo deste estudo foi analisar, como a Atenção Primária à Saúde (APS) tem organizado o cuidado a esse público. Foram consultadas as bases MEDLINE/BVS e SciELO, com recorte temporal de 2017 a 2024, utilizando descritores e critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, resultando em oito artigos na amostra final. Os resultados apontaram cinco grandes desafios: infraestrutura precária nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com ausência de equipamentos adaptados e de serviços de transporte público especializado para locomoção até os atendimentos; escassez de profissionais com capacitação específica para o manejo de CRIANES; inexistência de protocolos clínicos e de fluxos formais de contrarreferência, dificultando a continuidade do cuidado após altas hospitalares; invisibilidade cadastral dessas crianças nas UBS, o que compromete o mapeamento e o acompanhamento sistemático; e um modelo assistencial ainda predominantemente focado em agravos agudos, sem planejamento longitudinal para condições crônicas. A APS, apesar de detentora de papel central no cuidado, apresenta baixa resolutividade na prevenção de hospitalizações e na gestão integral desses casos. Conclui-se que superar essas barreiras requer reestruturação dos processos de trabalho, elaboração de planos terapêuticos individualizados, fortalecimento da busca ativa por meio dos agentes comunitários e capacitação permanente das equipes, com vistas a garantir um cuidado contínuo, articulado e centrado nas complexidades das CRIANES.
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