Planejamento educativo em atenção primária à saúde e o uso de metodologias ativas

Authors

  • Andrea Kedima Diniz Cavalcanti Tenório
  • Márcia Bento Moreira
  • Lúcia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n3-127

Keywords:

educação em saúde, atenção primária à saúde, planejamento em saúde, saúde pública

Abstract

As ações educativas realizadas na atenção básica são fundamentais à promoção da saúde e prevenção de agravos, e devem ocorrer a partir de metodologias que facilitem o diálogo entre profissionais e comunidade. Este trabalho teve como objetivo analisar o perfil sociodemográfico dos profissionais de saúde e o seu conhecimento sobre planejamento educativo e metodologias ativas em educação em saúde. Trata-se de um estudo de natureza descritivo-exploratória, quanti-qualitativo, realizado a partir de entrevistas com 51 profissionais de saúde. Os dados foram analisados a partir do software IRaMuTeQ 0.7 alpha 2. A maioria dos profissionais entrevistados é do sexo feminino (82%), possui faixa etária entre 30 e 49 anos (79%), e pós-graduação (73%). Enfermeiros representam 47% dos profissionais, e 70% deles têm menos de cinco anos de atuação na AB. 98% destes relatou que realiza atividades educativas. Dentre estas, 75% são palestras e 29% rodas de conversa, e a maioria (98%), compreende a importância dessas atividades e acredita que tragam muitos benefícios à comunidade. Aplicou-se o método da CHD para analisar as respostas sobre plano educativo (PE) e obtiveram-se seis classes. Destacaram-se as palavras: estratégias, desenvolvimento, saúde e população, remetendo-se ao conceito de PE, necessidade, ações, atividades e importante, à importância do PE, e público alvo, temas, atividade e faixa etária, aos critérios para a sua realização. Conclui-se que há necessidade de uma reflexão sobre a formação e o perfil profissional e de atuação dos profissionais de saúde da atenção primária, principalmente, suas práticas educativas, pois as mesmas encontram-se ainda muito atreladas a práticas educativas tradicionais e bancárias que não promovem uma adequada reflexão e o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo por parte dos usuários e profissionais. 

References

ANDRADE, A.C.V., SCHWALM, M.T., CERETTA, L.B., DAGOSTIN, V.S., SORATTO MT. Planejamento das ações educativas pela equipe multiprofissional da Estratégia Saúde da Família. O Mundo da Saúde. 2013; 37(4): 439-449.

ALVES, V. S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 16, p. 39–52, 2005.

BARBIANI, R., DALLA NORA, C.R., SCHAEFER, R. Nursing practices in the primary health care context: a scoping review. Rev. Latino-Am. Enfermagem. v. 24: e2721. 2016. [Access 30.10.2018]; Available in: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v24/pt_0104-1169-rlae-24-02721.pdf. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.0880.2721

BARBOSA, F.I., VILELA, G.S., MORAES, J.T., AZEVEDO, L.S., MARASAN, L.R. Caracterização das práticas de educação em saúde desenvolvidas por enfermeiros em um município do centro - oeste mineiro. REME rev. min. enferm. 2010;14(2):195-203.

BARDIN, L. Análise de conteúdo (L. de A. Rego & A. Pinheiro, Trads.). Lisboa: Edições 70. 2006.

BERBEL, N. A. N. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, v. 32, n. 1, p. 25–40, 2011.

BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Diretrizes de educação em saúde visando à promoção da saúde: documento base - documento I. Ministério da Saúde, v. I, p. 70, 2007.

BRASIL. Ministério da saúde. Departamento de atenção básica. Núcleo de atenção à saúde da família. Brasília - DF, 2009a.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 22 out. 2011a. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2488_21_10_2011.html>. Acesso em: 15 outubro 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vigilância em Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Portaria n° 687 MS/GM, de 30 de março de 2006. Aprova a Política de Promoção da Saúde. Diário Oficial da União 2006; 31 mar.

BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Política nacional de Humanização da atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada. Brasília: Ministério da saúde, 2009b.

BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de gestão da educação na saúde. Projeto de profissionalização dos trabalhadores da área da enfermagem. Formação pedagógica em educação profissional na área de saúde: enfermagem. Proposta pedagógica: o plano da ação. Brasília: Ministério da Saúde 2003. 67 p.

BORGES, S. A. C.; PORTO, P. N. Por que os pacientes não aderem ao tratamento? Dispositivos metodológicos para a educação em saúde. Saúde em Debate, v. 38, n. 101, p. 338–346, 2014.

CAMPOS, G. W. de S. Saúde pública e saúde coletiva: campo e núcleo de saberes e práticas. Ciênc. saúde coletiva, v. 5, n. 2, p. 219–230, 2000.

CÂNDIDO, A. B.; VICENTE, L. M.; PUSCH, G. V.; SANTOS, L. H. G. dos; CANOLLA, C. C. da S.; LABBADO, J. A.; PINTO, K. C. de L. R.; ARAÚJO, V. A. B. T. de. O conceito de educação em saúde sob a óptica dos usuários em uma estratégia de saúde da família: The concept of health education from the perspective of users in a family health strategies. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 5, n. 5, p. 20086–20097, 2022. DOI: 10.34119/bjhrv5n5-183.

CARNEIRO, A. C. L. L. et al. Educação para a promoção da saúde no contexto da atenção primária. Revista panamericana de salud publica, v. 31, n. 2, p. 115–120, 2012.

CARVALHO, G. A saúde pública no Brasil. Estudos Avançados, v. 27, n. 78, p. 7–26, 2013.

DUHO, S. Y. A.; MORAES, J. S. de; MODESTO, M. F. N.; ASSIS, N. R. de; PONTES, A. R. B.; BITAR, M. A. F.; SANTOS, E. F. de A. Impactos de ações extensionistas educativas e o uso de metodologias ativas na formação acadêmica e profissional do enfermeiro: Impacts of educational extension actions and the use of active methodologies in the academic and professional training of nurses. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 5, n. 6, p. 23611–23621, 2022. DOI: 10.34119/bjhrv5n6-141.

FIGUEIREDO, M.F.S.; RODRIGUES NETO, J.F.; LEITE, M.T.S. Health education in the context of family health from the user’s perspective. Interface - Comunic., Saude, Educ., v.16, n.41, p.315-29, abr./jun. 2012.

FREITAS, C. M., FREITAS, C. A. S. L., PARENTE, J. R. F. et al. Uso de metodologias ativas de aprendizagem para a educação na saúde: análise da produção científica. Trabalho, Educação e Saúde, v. v. 13, p. 117–130, 2015.

GIGANTE, R.L.; CAMPOS, G.W.S. Política De Formação E Educação Permanente Em Saúde No Brasil: Bases Legais E Referências Teóricas. Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 14, n. 3, p. 747–763, 2016.

HADDAD, A. E. A enfermagem e a política nacional de formação dos profissionais de saúde para o SUS. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 45, n. spe2, p. 1803–1809, 2011.

LIBANEO, J. C. Democratização da escola pública. A pedagogia crítico social dos conteúdos. 19. ed. São Paulo: Loyola, 2003. 150 p.

LISBOA, M. V. F. Ações e Práticas de Saúde Desenvolvidas pelos Profissionais do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) no Município de Pedra [monografia]. p. 40, 2011.

MENDONÇA, R. de D.; TOLED, M.T.T. de; LOPES, A.C.S. Incentivo à prática de aconselhamento sobre modos saudáveis de vida na Atenção Primária à Saúde. Esc. Anna Nery vol.19 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2015 Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452015000100140 http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20150019

OLIVEIRA, M.P.R., MENEZES I.H.C.F., SOUSA, L.M., et al. Training and qualification of health professionals: factors associated to the quality of primary care. Revista Brasileira de Educação Médica, 2016; 40(4): 547-559.

PAGLIOSA, Fernando Luiz; DA ROS, Marco Aurélio. The Flexner Report: for Good and for Bad. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 32, n. 4, p. 492–499, 2008.

ROECKER, S.; NUNES, E. de F. P. de A.; MARCON, S. S. O Trabalho Educativo Do Enfermeiro Na Estratégia Saúde Da Família. Texto & Contexto Enfermagem, v. 22, n. 1, p. 157–165, 2013.

SALVIATI, M. E. Manual do Aplicativo Iramuteq (versão 0.7 Alpha 2 e R Versão 3.2.3). Planaltina, 2017. Disponível em: http://iramuteq.org/documentation/fichiers/manual-do-aplicativo-iramuteq-par-maria-elisabeth-salviati

SILVA, J.A.M., PEDUZZI, M. [Work Education in Primary Health Care: interfaces between permanent education in health and the communicative action]. Saúde Soc [Internet]. 2011[cited 2018 Out 30]; 20(4):1018-32. Available from: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v20n4/18.pdf Portuguese.

SIMON, E. et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem e educação popular: encontros e desencontros no contexto da formação dos profissionais de saúde. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v. 18, n. suppl 2, p. 1355–1364, 2014.

TENÓRIO, A. K. D. C.; OLIVEIRA, L. M. S. R. de.; TENÓRIO, P. P.; MOREIRA, M. B. Educação, saúde e meio ambiente: uma relação interdisciplinar. Revista de Educação do Vale do São Francisco, vol. 8, n.15, p. 153-163, jan./abr., 2018a.

TENÓRIO, A. K. D. C.; ARAÚJO, L. do C. A. Planejamento educativo em saúde coletiva: Fundamentado no método Dialético de Paulo Freire. In. FOLQUITTO, D. G. Alicerces da saúde pública no Brasil 2. Ponta Grossa: Atena Editora, 2018b. cap.10, p.101-107.

Published

05/21/2025

How to Cite

TENÓRIO, A. K. D. C.; MOREIRA, M. B.; OLIVEIRA, L. M. S. R. de. Planejamento educativo em atenção primária à saúde e o uso de metodologias ativas. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 3, p. e79866, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n3-127. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/79866. Acesso em: 16 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers