Apendicite aguda não complicada em crianças: apendicectomia ou antibioticoterapia?

Authors

  • Sophia Perrupato Dayrell
  • Nathália Faria Vasconcelos
  • Felipe Nascimento Bicalho
  • Luiza Rocha Pinto Coelho

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv8n2-374

Keywords:

apendicite não complicada, cirurgia pediátrica, antibioticoterapia

Abstract

Contextualização: A apendicite aguda é a principal causa de cirurgia abdominal de emergência na infância, sendo a apendicectomia videolaparoscópica o tratamento padrão. Com os avanços da antibioticoterapia, aumentou o interesse por abordagens conservadoras em casos não complicados — definidos pela ausência de perfuração, abscesso ou peritonite.Objetivo: Comparar diretamente a eficácia e a segurança da antibioticoterapia isolada versus a apendicectomia videolaparoscópica no manejo de crianças com apendicite não complicada.Metodologia: Estudo multicêntrico, randomizado e prospectivo, conduzido em 11 hospitais pediátricos de cinco países (Estados Unidos, Canadá, Finlândia, Suécia e Singapura), que avaliou 936 crianças com apendicite não complicada. Os participantes foram divididos em dois grupos: tratamento cirúrgico (apendicectomia videolaparoscópica) e tratamento clínico (antibioticoterapia isolada). Os desfechos analisados incluíram falha terapêutica em 12 meses, eventos adversos, tempo de recuperação e satisfação dos cuidadores.Principais Resultados: A taxa de falha foi significativamente menor no grupo cirúrgico em comparação ao grupo tratado com antibióticos. Não foram observados eventos adversos graves em nenhum dos grupos, embora o grupo clínico tenha apresentado uma taxa mais elevada de efeitos adversos leves. As crianças tratadas com antibióticos retornaram mais rapidamente à alimentação, à escola e às atividades físicas. A satisfação dos cuidadores foi semelhante entre os grupos, com destaque, no grupo clínico, para o alívio associado à evitação da cirurgia e à possibilidade de recuperação sem intervenção invasiva.Conclusão: Apesar de a antibioticoterapia não ter atingido os critérios estabelecidos de não inferioridade, ela demonstrou ser uma alternativa segura e viável em contextos bem estruturados. A apendicectomia permanece a abordagem preferencial na maioria dos casos. No entanto, o tratamento clínico pode ser considerado em situações selecionadas, desde que haja vigilância rigorosa e tomada de decisão compartilhada com a família.

References

MINNECI, Paul C. et al. Nonoperative management of uncomplicated appendicitis in children: a systematic review and meta-analysis. JAMA Pediatrics, v. 174, n. 2, p. 141–149, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31738337/. Acesso em: 11 abr. 2025.

KAPLAN, Howard C. et al. Antibiotics versus appendectomy for acute uncomplicated appendicitis in children: a multicenter, prospective, randomized trial. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 24, p. 2365–2376, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34062150/. Acesso em: 11 abr. 2025.

KULAYLAT, Afif N. et al. Variation in surgeon adoption of nonoperative management for pediatric appendicitis. Pediatrics, v. 149, n. 2, e2021051625, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34989671/. Acesso em: 11 abr. 2025.

LOPEZ, Julio J. et al. Long-term outcomes of nonoperative treatment for acute appendicitis in children. Journal of Pediatric Surgery, v. 56, n. 3, p. 583–588, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33280792/. Acesso em: 11 abr. 2025.

PERERA, Benjamin et al. Parental preferences and decision-making in nonoperative management of pediatric appendicitis: a qualitative study. Annals of Surgery, v. 275, n. 5, p. e1223–e1231, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34668558/. Acesso em: 11 abr. 2025.

Published

04/28/2025

How to Cite

DAYRELL, S. P.; VASCONCELOS, N. F.; BICALHO, F. N.; COELHO, L. R. P. Apendicite aguda não complicada em crianças: apendicectomia ou antibioticoterapia?. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 2, p. e79289, 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n2-374. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/79289. Acesso em: 17 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers