Sífilis congênita como indicador de desigualdade: estudo epidemiológico no Brasil por escolaridade materna, raça/cor e região (2010–2023)
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n2-320Keywords:
sífilis congênita, desigualdade em saúde, epidemiologiaAbstract
A sífilis congênita (SC) é uma infecção evitável, cuja persistência representa um desafio para a saúde pública brasileira, refletindo desigualdades sociais e falhas na assistência pré-natal. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da sífilis congênita no Brasil entre 2010 e 2023, a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, com abordagem quantitativa, utilizando dados secundários extraídos da plataforma TabNet/DATASUS. Foram analisadas variáveis como região geográfica, raça/cor da mãe e escolaridade materna. No período estudado, foram notificados 279.508 casos de SC, com crescimento expressivo das notificações até 2021. As regiões Sudeste e Nordeste concentraram a maioria dos casos. Observou-se maior incidência entre mulheres pardas e com baixa escolaridade, indicando a influência de determinantes sociais na ocorrência da doença. Apesar da ampliação da testagem e tratamento gratuito pelo SUS, as desigualdades no acesso ao pré-natal de qualidade persistem. Os achados reforçam a importância de políticas públicas intersetoriais voltadas à equidade na saúde materno-infantil, além da qualificação da atenção básica e vigilância em saúde. A SC permanece como marcador das fragilidades no cuidado pré-natal, exigindo respostas integradas e contínuas para sua eliminação.
References
ALENCAR, M. A. de et al. Perfil epidemiológico da sífilis congênita no Brasil: uma revisão integrativa. Revista Saúde e Desenvolvimento, v. 17, n. 19, p. 53–66, 2023.
ALMEIDA, L. D. C. et al. Análise da incidência da sífilis congênita e fatores associados em uma capital do nordeste brasileiro. Revista Baiana de Saúde Pública, v. 45, n. 2, p. 482–498, 2021.
AMORIM, M. M. R. et al. Desafios na prevenção da sífilis congênita no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 39, n. 2, e00228221, 2023.
AQUINO, E. M. L. et al. A vigilância epidemiológica da sífilis: avanços e desafios no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 5, p. 1981–1992, 2022.
ARAÚJO, K. L. et al. Assistência pré-natal e a persistência da sífilis congênita em regiões vulneráveis do Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 44, n. 6, p. 470–478, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim Epidemiológico de Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
CUNHA, A. R. et al. A sífilis congênita no Brasil: uma análise das desigualdades regionais. Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 14, n. 3, p. e202340024, 2023.
DATASUS – Ministério da Saúde. Disponível em: <https://datasus.saude.gov.br/>.
DOMINGUES, Rosa M. S. M.; LEAL, Maria do Carmo. Incidência de sífilis congênita e fatores associados à transmissão vertical da sífilis: dados do estudo "Nascer no Brasil". Cadernos de Saúde Pública, v. 32, n. 6, p. e00082415, 2016.
LEMOS, A. G. L. M. de; BIAGGIO, B. G.; JUSTO, L. T. Perfil epidemiológico da Sífilis Congênita no estado de São Paulo no período de 2007 a 2023. Brazilian Journal of Health Review, v. 5, p. e73404, 2024.
LIMA, Amanda R. et al. Completude da notificação de sífilis gestacional e congênita na Bahia, 2007 a 2017. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 30, n. 4, e20201148, 2021.
LOPES, F. M. et al. Sífilis congênita: caracterização dos casos em uma cidade do interior do Ceará. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 23, n. 1, p. 139–147, 2023.
MILANEZ, H. Syphilis in Pregnancy and Congenital Syphilis: Why Can We not yet Face This Problem? Revista brasileira de ginecologia e obstetricia : revista da Federacao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetricia, v. 38, n. 9, p. 425–427, 2016.
OLIVEIRA, N. et al. Caracterização epidemiológica da sífilis na gestação e congênita no estado da Paraíba (2008-2017). Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 5, p. 22454–22475, 20 set. 2023.
SANTOS, Flávia S. et al. Fatores associados à sífilis congênita: estudo em um hospital universitário. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 49, n. 6, p. 777–784, 2016.
SAYAL, H. B. et al. Maternal and neonatal outcomes of congenital syphilis at a tertiary care center in Turkey; a retrospective observational study. Journal of obstetrics and gynaecology : the journal of the Institute of Obstetrics and Gynaecology, v. 44, n. 1, p. 2417251, dez. 2024.
SILVA, L. R. DA et al. De mãe para filho (a): os impactos da sífilis gestacional e congênita na saúde pública do Brasil. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 1, p. 330–343, 2021.
SOUSA, O. C. et al. Sífilis congênita: o reflexo da assistência pré-natal na Bahia / Congenital syphilis: the reflex of pre natal care in Bahia. Brazilian Journal of Health Review, v. 2, n. 2, p. 1356–1376, 22 fev. 2019.


