A saúde mental dos profissionais de saúde da atenção primária frente à violência do território: um relato de experiência
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n2-277Keywords:
atenção primária à saúde, saúde mental, profissionais de saúde, violência territorialAbstract
A Atenção Primária à Saúde (APS) é um pilar fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, com as Unidades de Saúde da Família (USF) desempenhando um papel essencial na oferta de serviços de saúde para populações vulneráveis. No entanto, essas unidades frequentemente operam em áreas de vulnerabilidade social, expondo os profissionais de saúde à violência recorrente do território, o que pode impactar sua saúde mental e a qualidade do atendimento. O objetivo deste estudo é explorar o impacto da violência territorial na saúde mental dos profissionais de saúde na Atenção Primária, com foco Centro Municipal de Saúde Maria Augusta Estrella (CMS MAE), localizado no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro. Realizamos um estudo transversal utilizando um questionário online, que foi aplicado a médicos, enfermeiros e estagiários de medicina da USF, entre agosto e setembro de 2024. Os participantes responderam questões sobre características demográficas, experiência profissional, ansiedade relacionada à violência territorial, sensação de insegurança e a percepção sobre o apoio institucional à saúde mental. Dos 38 profissionais selecionados, 27 (71,1%) aceitaram participar do estudo, incluindo médicos (70,3%), enfermeiros (18,5%) e estagiários de medicina (11,1%). A maioria dos participantes (77,7%) relatou episódios de ansiedade relacionados à violência territorial pelo menos duas vezes na semana, enquanto 29,6% declararam sentir insegurança diária ao se deslocar para o trabalho. Entre os participantes, 74% indicaram que sua saúde mental tem impacto significativo no desempenho profissional e 59,3% referiram nenhuma preocupação institucional com iniciativas voltadas à saúde mental. Os resultados demonstram o profundo impacto psicológico da violência sobre os profissionais da USF. O reforço ao apoio à saúde mental e a implementação de protocolos de segurança, como o Modelo de Acesso Mais Seguro, pode ajudar a mitigar os efeitos adversos da violência territorial na prestação de serviços de saúde. Estudos mais amplos são necessários para generalizar esses achados e orientar mudanças nos cenários de APS em regiões de alto risco.
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