Perfil de Mortalidade por Doenças Relacionadas à AIDS no Brasil nos últimos 20 anos
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n2-095Keywords:
AIDS, HIV, mortalidade, estudo ecológicoAbstract
Justificativa: Após a institutição de terapia antirretroviral altamente eficaz, os casos de morte por doenças relacionadas à AIDS têm dimimuido drasticamente nos últimos anos. Mundialmente, os óbitos despencaram para 630.000 em 2023, quando comparados aos 2,1 milhões em 2004. Objetivos: Este trabalho busca avaliar o perfil das pessoas que morreram por doenças relacionadas à AIDS no Brasil ao longo de 20 anos, analisando se houve mudança na população mais acometida. Metodologia: Este é um estudo ecológico sobre mortes relacionadas à AIDS nos últimos 20 anos (2003 a 2022) no Brasil. Os dados foram coletados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Resultados: No Brasil, de 2003 a 2022 foram registradas 233.542 mortes relacionadas à AIDS, com média de 11.677 óbitos por ano. Não foi observada diminuição significativa no número total de mortes, principalmente quando observamos os intervalos de 10 e 20 anos, onde foram registrados 11.283 óbitos em 2003, 12.073 óbitos em 2012 e 11.133 óbitos em 2022. O gênero masculino foi predominate em todos os anos analisados (66%) e as regiões sudeste e sul concetram a maioria dos óbitos notificados. Conclusões: No Brasil foi observada uma significativa queda na taxa de mortalidade ao longo destas duas décadas. A taxa de mortalidade caiu de 5,6 em 2003, para 4,1 no ano de 2022. Intervenções nos programas de IST/AIDS devem ser intensificadas, para assegurar a terapêutica adequada e suporte de adesão ao tratamento para as pessoas que vivem com HIV, para que essa tendência de queda seja maximizada.
References
ABGRALL, S. et al. Effect of sociodemographic factors on survival of people living with HIV. Curr Opin HIV AIDS 2016; 11(5):501-506.
ABIOYE, AI. et al. Are there differences in disease progression and mortality among male and female HIV patients on antiretroviral therapy? A meta-analysis of observational cohorts. AIDS Care 2015; 27(12):1468-1486.
ANTUNES, JLF. et al. Uso da análise de séries temporais em estudos epidemiológicos. Epidemiol Serv Saude 2015; 24(3):565-576.
BATISTA, JFC. et al. Distribuição espacial e tendência temporal da AIDS no Brasil e regiões entre 2005 e 2020.RevBrasEpidemiol 2023; 26.
BRASIL. Informações de Saúde (TABNET) – DATASUS. Sífilis Adqiuirida. Notificações registradas no Sistema de Informaçãode sobre Mortalidade (SIM). Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br.(acessado em 26/02/2025).
BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico – HIV e Aids 2023 – Número Especial. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de conteudo/publicacoes/boletins. (acessado em 28/02/2025).
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos – Módulo 1. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
CHATALE, B. et al. Advancement in HIV Treatment: A Comprehensive Review of Therapeutic Strategies and Emerging Innovations. Acta Scientific Microbiology. 2024; 7:2581–3226.
CUNHA, AP. et al. Análise da tendência da mortalidade por HIV/AIDS segundo as características sociodemográficas no Brasil, 2000 a 2018. Ciênc. Saúde Coletiva. 2022; 27(3): 895-908.
DRUYTS, E. et al. Male sex and the risk of mortality among individuals enrolled in antiretroviral therapy programs in Africa: a systematic review and meta-analysis. AIDS 2013; 27(3):417-425.
GBD 2015 HIV Collaborators. Estimates of global, regional, and national incidence, prevalence, and mortality of HIV, 1980-2015: the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet HIV 2016; 3(8):e361-87.
GUIMARÃES MDC, at al. Mortalidade por HIV/Aids no Brasil, 2000-2015: motivos para preocupação? Rev Bras Epidemiol 2017; 20(Supl. 1):182-190.
HALL, HI. et al. Determinants of progression to AIDS or death after HIV diagnosis, United States, 1996 to 2001. Ann Epidemiol. 2006;16(11):824-33. Erratum in: Ann Epidemiol. 2007;17(8):642.
JIANG, H. et al. Gender difference in advanced HIV disease and late presentation according to European consensus definitions. Sci Rep 2015; 5:14543.
MELO, MC. et al. Sobrevida de pacientes com aids e associação com escolaridade e raça/cor da pele no Sul e Sudeste do Brasil: estudo de coorte, 1998- 1999. Epidemiol Serv Saúde. 2019;28(1):e2018047.
OLIVEIRA, SV. et al. Análise do índice fuzzy de pobreza multidimensional em populações urbanas: um estudo de caso em Santa Maria (RS). Rev CEPE. 2018;47:81-99.
OLIVEIRA, RSM. et al. HIV/AIDS epidemic in the State of Amazonas: characteristics and trends from 2001 to 2012. Rev Soc Bras Med Trop 2015; 48(Supl. 1):70-78.
ONU. Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development Department of Economic and Social Affairs. https://sdgs.un.org/2030agenda. (acessado em 03/03/2025).
PAULA, A. et al. Perfis de mortalidade em pessoas vivendo com HIV/aids: comparação entre o Rio de Janeiro e as demais unidades da federação entre 1999 e 2015. Rev Bras Epidemiol. 2020; 23: E200017.
PINTO VM, et al. Fatores associados às infecções sexualmente transmissíveis: inquérito populacional no município de São Paulo, Brasil. Cien Saude Colet. 2018; 23(7):2423-2432.
SILVA, JÁ. et al. Fatores associados à não adesão aos antirretrovirais em adultos com AIDS nos seis primeiros meses da terapia em Salvador, Bahia, Brasil. Cad Saude Publica. 2015;31(6):1-11.
STACANELLI, I. et al. Evolução histórica da terapia antirretroviral na infecção pelo HIV no Brasil. Unimontes Científica, 2024; 1 (26):1–33.
TEIXEIRA, TRA, et al. Social geography of AIDS in Brazil: identifying patterns of regional inequalities. Cad Saude Publica 2014; 30(2):259-271.
TEIXEIRA, L. G. et al. O perfil epidemiológico da AIDS no Brasil. Brazilian Journal of Health Review, 2022; 5(1):1980–1992.
TRICKEY, A. et al. Longitudinal trends in causes of death among adults with HIV on antiretroviral therapy in Europe and North America from 1996 to 2020: a collaboration of cohort studies. Lancet HIV. 2024;11(3):e176-e185.
UNAIDS. END INEQUALITIES. END AIDS. GLOBAL AIDS STRATEGY 2021-2026. https://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/global-AIDS-strategy-2021-2026_en.pdf. (acessado em 03/03/2025)
UNAIDS. THE URGENCY OF NOW AIDS AT A CROSSROADS. https://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/2024-unaids-global-aids-update_en.pdf. (acessado em03032025).


