Manejo da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: uma revisão integrativa sobre diagnóstico e tratamento
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n2-039Keywords:
insuficiência cardíaca, fração de ejeção reduzida, biomarcadoresAbstract
Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) se torna questão de saúde pública à medida que se torna importante causa de morbimortalidade no Brasil e no mundo. A condição pode ser causada por alterações da função sistólica ou diastólica. Pode ser classificada em IC com fração de ejeção preservada (ICFEp) e IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr), sendo que ambas se diferenciam tanto na etiologia quanto no tratamento. Objetivo: Analisar as principais estratégias diagnósticas e terapêuticas da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) por meio de uma revisão integrativa da literatura. Explorar os métodos diagnósticos disponíveis, além das opções terapêuticas mais recentes, incluindo intervenções farmacológicas e não farmacológicas. Discutir as diretrizes atuais para o manejo da ICFEr e seus impactos na evolução clínica e na qualidade de vida dos pacientes. Metodologia: Foram realizadas buscas nas bases PubMed, SciELO e Lilacs, utilizando descritores específicos, resultando em um total de 17 referências selecionadas. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, em português, espanhol e inglês. Discussão: A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr) é caracterizada por disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (VE), levando à sobrecarga e estiramento do átrio esquerdo (AE). Com a progressão, ocorre dilatação ventricular, resultando em sintomas como dispneia e fadiga. O diagnóstico é auxiliado por biomarcadores como BNP e NT-proBNP, além de exames ecocardiográficos como o speckle tracking (STE). O tratamento inclui medidas farmacológicas e não farmacológicas. Os inibidores do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA), como IECAs e BRAs, reduzem a sobrecarga cardíaca. Betabloqueadores melhoram a função ventricular, enquanto os inibidores do Cotransportador de Sódio-Glicose 2 (iSGLT2) reduzem eventos cardiovasculares. Atividade física, cessação do tabagismo, dieta hipossódica e vacinação auxiliam na redução da morbimortalidade. Nos casos graves, terapias intervencionistas podem ser necessárias. A terapia de ressincronização cardíaca (TRC) e o cardioversor desfibrilador implantável (CDI) são indicados para disfunção ventricular significativa. O dispositivo de assistência ventricular esquerda (LVAD) pode ser utilizado em insuficiência cardíaca avançada, enquanto o transplante cardíaco é reservado para casos selecionados. Conclusão: A ICFEr permanece um desafio clínico, com elevada morbimortalidade e impacto nos sistemas de saúde. Apesar dos avanços diagnósticos, incluindo o uso de biomarcadores como BNP e NT-proBNP, e de novas terapias farmacológicas e não farmacológicas, a taxa de hospitalização e progressão da doença continuam elevadas. O manejo clínico eficaz exige uma abordagem multidisciplinar, com ênfase na estratificação de risco, otimização terapêutica e adesão às diretrizes atuais. Novas estratégias terapêuticas, como inibidores de SGLT2 e moduladores da via neuro-hormonal, demonstram benefícios na redução da mortalidade e internações, reforçando a necessidade de sua incorporação na prática clínica. Ainda assim, desafios como a sub-representação de grupos específicos em ensaios clínicos e a adesão inadequada ao tratamento limitam os resultados. Assim, a identificação precoce da ICFEr e a implementação de abordagens personalizadas são essenciais para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes.
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