Cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos: identificação precoce de pacientes de alto risco

Authors

  • Roberto Ramos Barbosa
  • Pedro Henrique Paiva Faria Faleiro
  • Gustavo José Rossoni Ronchi
  • Enzo Martins Rebouças
  • Gabriel Daher Sardinha
  • Bárbara Keller Schreiber
  • Lucas Crespo de Barros
  • Larissa Novaes Paganini
  • Luana Tamara Pescuite

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv7n9-494

Keywords:

cardiotoxicidade, quimioterapia, insuficiência cardíaca

Abstract

Introdução: O rastreamento da cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos é fundamental para a adequada assistência aos pacientes oncológicos. Contudo, os protocolos atualmente preconizados não se sustentam na realidade do Sistema Único de Saúde. Dessa forma, torna-se necessária a estratificação de risco para melhor definir os pacientes com maior demanda por rastreio. Objetivo: Identificar pacientes de alto risco para cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos submetidos a tratamento de câncer de mama com doxorrubicina e/ou ciclofosfamida. Métodos: Estudo observacional, longitudinal, retrospectivo e unicêntrico, que incluiu pacientes portadores de câncer de mama submetidos à quimioterapia com doxorrubicina e/ou ciclofosfamida entre janeiro de 2018 e novembro de 2022. Foram excluídos pacientes com disfunção ventricular prévia. Os dados foram extraídos dos prontuários e dispostos conforme as seguintes categorias: identificação, comorbidades, medicamentos utilizados, registro oncológico e avaliação ecocardiográfica antes e após quimioterapia. A estratificação de risco foi realizada de acordo com os seguintes critérios: idade superior a 65 anos, presença de dois ou mais fatores de risco cardiovascular e dose cumulativa de doxorrubicina superior a 250 mg/m². A presença de dois destes critérios definiu o grupo de alto risco. Resultados: Foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão 715 pacientes, dos quais 287 foram selecionados para estudo. A média de idade foi 53,8 ± 12,1 e foram encontrados 59 (20,6%) pacientes com idade superior a 65 anos.  Do total, 122 (42,5%) apresentaram hipertensão, 43 (15%) diabetes mellitus, 31 (10,8%) dislipidemia, 68 (23,7%) obesidade, 17 (5,9%) tabagismo e 16 (5,6%) ex-tabagismo. Entre os expostos a doxorrubicina, 10 (3,6%) receberam dose acumulada > 250mg/m². Foram encontrados 227 (79,1%) pacientes que realizaram ecocardiograma antes da quimioterapia, com fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) média de 68,2 ± 5,4%. Ecocardiograma de controle foi realizado em 81 (28,2%) pacientes, com FEVE média de 63,4 ± 9,6%. Conclusão: Entre pacientes com câncer de mama submetidos à quimioterapia com doxorrubicina e/ou ciclofosfamida, foram identificados 29 (10,1%) pacientes de alto risco para cardiotoxicidade. Este estudo aponta individualmente os pacientes de risco que devem compor a população alvo para rastreio neste serviço.

References

ABDEL-QADIR, Husam et al. Development and validation of a multivariable prediction model for major adverse cardiovascular events after early stage breast cancer: a population-based cohort study. European heart journal, v. 40, n. 48, p. 3913-3920, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31318428/. Acesso em: 29 de junho de 2024.

ARMENIAN, Saro H. et al. Prevention and monitoring of cardiac dysfunction in survivors of adult cancers: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Oncology, v. 35, n. 8, p. 893-911, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27918725/. Acesso em: 25 de julho de 2024.

ARMSTRONG, Gregory T. et al. Screening adult survivors of childhood cancer for cardiomyopathy: comparison of echocardiography and cardiac magnetic resonance imaging. Journal of clinical oncology, v. 30, n. 23, p. 2876-2884, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22802310/. Acesso em: 18 de julho de 2024.

BRANT, Luisa Campos Caldeira et al. Variations and particularities in cardiovascular disease mortality in Brazil and Brazilian states in 1990 and 2015: estimates from the Global Burden of Disease. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 20, p. 116-128, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/R6Ct9Yn68BsrSMVw3n4HHdN/abstract/?lang=en. Acesso em: 29 de junho de 2024.

CARDINALE, Daniela et al. Early detection of anthracycline cardiotoxicity and improvement with heart failure therapy. Circulation, v. 131, n. 22, p. 1981-1988, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25948538/. Acesso em: 16 de janeiro de 2024.

CARDINALE, Daniela et al. Anthracycline-induced cardiotoxicity: A multicenter randomised trial comparing two strategies for guiding prevention with enalapril: The International CardioOncology Society-one trial. European journal of cancer, v. 94, p. 126-137, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29567630/. Acesso em: 09 de julho de 2024.

CURIGLIANO, Giuseppe et al. Cardiovascular toxicity induced by chemotherapy, targeted agents and radiotherapy: ESMO Clinical Practice Guidelines. Annals of oncology, v. 23, p. vii155-vii166, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22997448/. Acesso em: 11 de agosto de 2024.

GRIPP, Eliza de Almeida et al. Global longitudinal strain accuracy for cardiotoxicity prediction in a cohort of breast cancer patients during anthracycline and/or trastuzumab treatment. Arquivos brasileiros de cardiologia, v. 110, n. 2, p. 140-150, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/ZkBfG9f8WD6kcPt6fKg8Zqf/abstract/?lang=en. Acesso em: 09 de julho de 2024.

HAJJAR, Ludhmila Abrahão et al. Brazilian Cardio-oncology Guideline–2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 115, p. 1006-1043, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/LVSYykYGsz3K6n5BFpwBt9c/?lang=pt. Acesso em: 21 de junho de 2024.

HEQUET, O. et al. Subclinical late cardiomyopathy after doxorubicin therapy for lymphoma in adults. Journal of clinical oncology, v. 22, n. 10, p. 1864-1871, 2004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15143078/. Acesso em: 29 de setembro de 2024.

HERSHMAN, Dawn L. et al. Doxorubicin, cardiac risk factors, and cardiac toxicity in elderly patients with diffuse B-cell non-Hodgkin's lymphoma. Journal of Clinical Oncology, v. 26, n. 19, p. 3159-3165, 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18591554/. Acesso em: 28 de setembro de 2024.

JORDAN, Jennifer H. et al. Left ventricular mass change after anthracycline chemotherapy. Circulation: Heart Failure, v. 11, n. 7, p. e004560, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29991488/. Acesso em: 07 de julho de 2024.

LIMAT, S. et al. Early cardiotoxicity of the CHOP regimen in aggressivenon-Hodgkin’s lymphoma. Annals of oncology, v. 14, n. 2, p. 277-281, 2003. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12562656/. Acesso em: 15 de setembro de 2024.

LYON, Alexander R. et al. 2022 ESC Guidelines on cardio-oncology developed in collaboration with the European Hematology Association (EHA), the European Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ESTRO) and the International Cardio-Oncology Society (IC-OS) Developed by the task force on cardio-oncology of the European Society of Cardiology (ESC). European Heart Journal-Cardiovascular Imaging, v. 23, n. 10, p. e333-e465, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36017568/. Acesso em: 02 de março de 2024.

MARINHO, Fatima et al. Burden of disease in Brazil, 1990–2016: a systematic subnational analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. The Lancet, v. 392, n. 10149, p. 760-775, 2018. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/piis0140-6736(18)31221-2/fulltext. Acesso em: 30 de junho de 2024.

MCGOWAN, John V. et al. Anthracycline chemotherapy and cardiotoxicity. Cardiovascular drugs and therapy, v. 31, p. 63-75, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28185035/. Acesso em: 07 de julho de 2024.

MOR-AVI, Victor; LANG, Roberto M. Is echocardiography reliable for monitoring the adverse cardiac effects of chemotherapy?. Journal of the American College of Cardiology, v. 61, n. 1, p. 85-87, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23199517/. Acesso em: 18 de julho de 2024.

NAREZKINA, Anna; NASIM, Khoban. Anthracycline cardiotoxicity: one step closer to reversing the irreversible. Circulation: Heart Failure, v. 12, n. 3, p. e005910, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30871350/. Acesso em: 30 de junho de 2024.

VAN NIMWEGEN, Frederika A. et al. Cardiovascular disease after Hodgkin lymphoma treatment: 40-year disease risk. JAMA internal medicine, v. 175, n. 6, p. 1007-1017, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25915855/. Acesso em: 20 de setembro de 2024.

VON HOFF, Daniel D. et al. Risk factors for doxorubicin-lnduced congestive heart failure. Annals of internal medicine, v. 91, n. 5, p. 710-717, 1979. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/496103/. Acesso em: 19 de janeiro de 2024.

ZAMORANO, Jose Luis et al. 2016 ESC Position Paper on cancer treatments and cardiovascular toxicity developed under the auspices of the ESC Committee for Practice Guidelines: The Task Force for cancer treatments and cardiovascular toxicity of the European Society of Cardiology (ESC). European heart journal, v. 37, n. 36, p. 2768-2801, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27567406/. Acesso em: 07 de julho de 2024.

Published

12/30/2024

How to Cite

BARBOSA, R. R.; FALEIRO, P. H. P. F.; RONCHI, G. J. R.; REBOUÇAS, E. M.; SARDINHA, G. D.; SCHREIBER, B. K.; BARROS, L. C. de; PAGANINI, L. N.; PESCUITE, L. T. Cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos: identificação precoce de pacientes de alto risco. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 7, n. 9, p. e76309, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n9-494. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/76309. Acesso em: 18 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers