Caracterização clínica, social, demográfica e econômica dos doentes acompanhados pela Unidade de Saúde Mental Comunitária do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n9-406Keywords:
psiquiatria, psiquiatria comunitária, doença mental, estigma socialAbstract
Introdução: No âmbito da Psiquiatria, o início da atividade comunitária teve um papel fundamental no processo de desinstitucionalização e de abertura do doente mental à comunidade com tradução numa redução do número de doentes cronicamente internados e numa melhoria dos cuidados prestados aos doentes. No Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões, essa atividade é desenvolvida pela Unidade de Saúde Mental Comunitária que realiza visitas domiciliárias mensais para avaliação clínica e administração de antipsicóticos injetáveis de ação prolongada. Objetivos: Caracterizar a população de doentes que é acompanhada pela Unidade Saúde Mental Comunitária do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões e perceber as diferenças que existem com os dados nacionais disponíveis. Métodos: Trata-se de um estudo retrospetivo e transversal do tipo inquérito, aprovado pela Comissão de Ética da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões. Os doentes participantes, assinaram o consentimento informado e responderam a um questionário (modelo em anexo). A confidencialidade dos seus dados foi preservada. Resultados: Dos 525 doentes acompanhados pela Unidade de Saúde Mental Comunitária foram visitados 231 doentes e aceitaram participar no estudo 226 doentes. Após análise dos dados obtidos, o doente padrão deste estudo é um homem, com idade compreendida entre os 50 e os 59 anos, com diagnóstico de esquizofrenia, solteiro, que reside com familiar em casa própria, que se encontra reformado por invalidez com um rendimento mensal entre 200 e <300euros e que se ocupa em atividades agrícolas e/ou domésticas. Conclusão: Os dados obtidos a partir desde estudo refletem o impacto negativo que as perturbações mentais graves, às quais ainda está associado um elevado estigma, têm na esfera social, familiar e económica, conferindo a estes doentes uma maior vulnerabilidade não só no âmbito clínico, mas também no âmbito sociofamiliar uma vez que na maioria das situações correspondem a doentes com fraco suporte sociofamiliar, com escassos recursos financeiros e com dificuldades de inserção social e profissional, o que reforça a necessidade de desenvolver protocolos e estratégias de intervenção locais que permitam mitigar as necessidades desta população.
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