Efeitos da dieta e estilo de vida na esclerose múltipla: principais impactos das intervenções terapêuticas não farmacológicas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n4-295Keywords:
Esclerose Múltipla, estilo de vida, dieta, exercícioAbstract
Introdução: A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune imprevisível que afeta o sistema nervoso central, causando uma série de sintomas debilitantes como fadiga, fraqueza, problemas de visão e cognitivos. A doença afeta milhares de brasileiros, principalmente mulheres brancas, impactando significativamente na sua qualidade de vida. Fatores genéticos, estilo de vida e hábitos alimentares são considerados relevantes no desenvolvimento da EM. Diagnosticar a esclerose múltipla é desafiador devido à variedade de sintomas, falta de testes específicos e acesso limitado a neurologistas, levando a atrasos no diagnóstico e progressão da doença, com consequências irreversíveis. A EM é influenciada por fatores genéticos e ambientais, incluindo baixos níveis de vitamina D, infecção por vírus Epstein-Barr, tabagismo e obesidade na adolescência. Adotar uma dieta equilibrada e estilo de vida saudável é crucial na busca de um manejo eficaz dos indivíduos portadores de EM, visando melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença, em uma abordagem integrada que promova o bem-estar geral do paciente. Objetivo: Esse artigo busca elucidar o impacto que a terapêutica não farmacológica possui no manejo da esclerose múltipla, expondo como a dieta e o estilo de vida podem afetar na progressão dessa condição. Metodologia: Nesta revisão integrativa foram realizadas buscas sistemáticas nas bases de dados MEDLINE e SciELO, utilizando descritores estratégicos para direcionar nossa investigação. Os termos-chave incluíram “multiple sclerosis”, “lifestyle”, “diet”, “exercise”. Partindo de uma seleção de artigos criteriosa, visando incluir apenas estudos originais em língua inglesa, publicados no período entre 2019 e 2024. Resultados: Estudos de revisão mostram que exercícios físicos melhoram fadiga, equilíbrio e capacidade de caminhar, especialmente em pacientes mais jovens. Exercícios aeróbicos melhoram a qualidade de vida, enquanto os de resistência reduzem a fadiga. Algumas meta-análises evidenciam modesta melhoria na qualidade de vida quando empregadas as intervenções não farmacológicas, destacando a eficácia em aspectos físicos e mentais. Estudos mostram que a melhor qualidade da dieta e o não consumo de carne geram redução da progressão da incapacidade em pessoas com EM. Dentre os diferentes programas dietéticos que podem ser incorporados para esse fim destacam-se a dieta paleolítica modificada de Wahls e as de Swank, Overcoming MS e McDougall. Há evidências de que a atividade física se relaciona com uma melhor Qualidade de Vida (QV) física, mental e social, enquanto a dieta anti-inflamatória mostra benefícios específicos em termos de mobilidade para indivíduos com EM Progresiva (ProgMS). Relatos de caso demonstram que é possível, para pacientes que realizam mudanças intensivas do estilo de vida, realizar o controle da EM eliminando o uso de medicamentos. Destaca-se a necessidade da disponibilização de melhores meios para gestão do estresse e de aconselhamento psicológico individualizado para os pacientes. Ademais, estudos reforçam a importância de uma abordagem holística e interdisciplinar, incluindo fisioterapia, musicoterapia e yoga para reabilitação de pessoas com EM, a fim de atenuar os sintomas da doença e de reduzir a polifarmácia. Discussão: Os estudos de Gunter (2021) destacam a relevância das intervenções não farmacológicas no manejo da esclerose múltipla (EM), complementando os tratamentos medicamentosos e promovendo melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes. Gitman et al. (2023), em uma revisão sistemática envolvendo 40 estudos, observaram que terapias como a cognitivo-comportamental e a ocupacional não apenas beneficiam aspectos físicos e mentais dos pacientes, mas também contribuem para a integração social e redução de sintomas psicológicos, como estresse e ansiedade. A personalização dessas intervenções é fundamental para atender às necessidades individuais dos pacientes com EM. Resultados de Simpson et al. destacam os benefícios de práticas como mindfulness e terapia ocupacional, que ajudam a mitigar impactos psicológicos da doença e promovem a reintegração social dos pacientes. Além das intervenções psicossociais, a reabilitação física desempenha um papel crucial. Estudos de Gunter et al. (2021) evidenciam que fisioterapia e exercícios personalizados são eficazes na melhoria da força muscular, coordenação e na redução da fadiga em pacientes com EM. Proschinger et al. (2022) corroboram esses achados, mostrando que programas de exercícios adaptados podem reduzir as taxas de recaída e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Na gestão dietética, evidências de NICE (2021) e Simpson-Yap et al. (2021) destacam os benefícios de dietas ricas em alimentos anti-inflamatórios e vitaminas para reduzir a progressão da EM. Enquanto dietas com alto consumo de carne vermelha e laticínios integrais estão associadas a piores prognósticos, uma alimentação equilibrada pode ajudar a mitigar os sintomas e melhorar a saúde geral dos pacientes. Esses achados sublinham a importância de uma abordagem integrada e personalizada no manejo da EM, visando não apenas o controle dos sintomas, mas também a melhoria da qualidade de vida e a promoção do bem-estar geral dos pacientes. O estudo HOLISM sugere que uma dieta de alta qualidade e sem carne pode reduzir a progressão da incapacidade na EM, enquanto o iConquerMS indica que a atividade física melhora a qualidade de vida física, mental e social dos pacientes. Conclusão: A intervenção integrada no manejo da EM é imprescindível para a melhora da qualidade de vida. Além dos tratamentos farmacológicos, abordagens não farmacológicas são cruciais para reduzir sintomas psíquicos e melhorar a cognição, além de auxiliarem na manutenção da autonomia e da coordenação motora e na redução de fadiga e de perda de equilíbrio. O gerenciamento alimentar, com alimentos anti-inflamatórios e vitaminas D e do complexo B, também tem efeitos neuroprotetores, influenciando positivamente o prognóstico da doença. A integração de tratamentos medicamentosos, associados ao hábito de vida e à dieta, é fundamental para um tratamento holístico e eficaz, além de reduzir a progressão da incapacidade inerente à doença. As abordagens não farmacológicas enfrentam, porém, desafios para sua implementação devido à heterogeneidade de possibilidades, à falta de consenso e à necessidade de elaboração de mais pesquisas.
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