Abordagens terapêuticas pré, peri e pós surto psicótico em contexto depressive
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv8n4-278Keywords:
surto psicótico, depressão, tratamento, estratégia, saúde mentalAbstract
Introdução: No Brasil, a CID-10 é usada para diagnosticar e tratar transtornos depressivos de forma padronizada, categorizando a depressão como "Transtornos do humor (afetivos)" e subdividindo-a em episódios leves, moderados e graves, com ou sem sintomas psicóticos, além de transtornos depressivos recorrentes e persistentes, como a distimia. Os transtornos depressivos representam uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. Dentre os subconjuntos de sintomas da depressão enquadra-se a ruminação e, se associada a quadros graves, delírios e alucinações podem estar presentes. Esta doença impacta negativamente a qualidade de saúde dos brasileiros, principalmente no que tange aos aspectos laborais. Pacientes com transtornos depressivos graves apresentam uma grande chance de desenvolver surtos psicóticos associados à depressão e por esta razão é fundamental acompanhamento médico para possíveis intervenções. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem surgido como uma importante ferramenta para a intervenção precoce, tanto no grupo com alto risco de surto, como no grupo que já teve o primeiro surto. Objetivo: Detalhar as abordagens terapêuticas pré, peri e pós surto psicótico em pacientes em contexto de depressão, analisando as melhores estratégias para prevenção, proteção e recuperação dos indivíduos afetados. Metodologia: Nesta revisão integrativa, foram realizadas buscas sistemáticas nas bases de dados MEDLINE e SciELO, utilizando descritores estratégicos para direcionar nossa investigação. Os termos-chave incluíram “psychotic outbreak”, “depression”, “treatment”, “strategy”, “mental health”. Partindo de uma seleção de artigos criteriosa, visando incluir apenas estudos originais em língua inglesa, publicados no período entre 2014 e 2023. Resultados: A intervenção precoce consiste na combinação do tratamento medicamentoso com a TCC. Este modelo de tratamento vem demonstrando diversos efeitos positivos, porém encontra algumas limitações como interação paciente-terapeuta, recursos e tempo, além da possibilidade de falsos positivos que podem trazer prejuízos à vida do paciente, devido ao estigma enfrentado pelos portadores de doenças mentais. O tratamento indicado para a depressão psicótica é a associação de um antipsicótico e um antidepressivo, no entanto, existem alguns estudos que demonstram que apenas algumas dessas associações apresentam risco reduzido de recaídas. Discussão: A psicose é um transtorno mental que afeta a percepção da realidade e pode ser classificada como funcional, orgânica ou psicogênica dependendo de sua causa, podendo ser aguda ou crônica, como a esquizofrenia. O tratamento pré-surto para a psicose, desenvolvido pelo Dr. Patrick McGorry, enfatiza a importância da intervenção precoce para melhores resultados e utiliza baixas doses de medicamentos e terapia cognitivo-comportamental (TCC). Os estudos de Freitas-Silva e Ortega (2014) e Agbor et al., (2022), demonstraram a eficácia da TCC na prevenção de episódios psicóticos e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, apesar de limitações como a necessidade de persistência contínua e desafios diagnósticos. A importância do apoio familiar e de uma abordagem holística é crucial para o sucesso do tratamento e para a redução do impacto psicológico e emocional da doença. Conclusão: Os resultados obtidos enfatizam a relevância da intervenção precoce e da terapia cognitivo-comportamental (TCC) no tratamento da psicose. Uma pesquisa liderada pelo Dr. Patrick McGorry mostra que a combinação de medicamentos em baixas doses com TCC pode não apenas prevenir ou retardar o primeiro episódio de psicose, mas também fornecer um tratamento mais eficaz e personalizado. A TCC demonstrou ser eficaz tanto na prevenção de episódios em pacientes de alto risco quanto no tratamento da psicose crônica, com melhorias significativas na qualidade de vida. As implicações clínicas sugerem a necessidade de uma integração mais forte da TCC nos planos de tratamento psiquiátrico. Contudo, desafios como a continuidade do tratamento e a complexidade das interações terapeuta-paciente precisam ser enfrentados. A pesquisa contínua é essencial para superar essas limitações e otimizar os resultados para pacientes com psicose. Além do mais, o estudo destaca a necessidade de uma seleção cuidadosa de antipsicóticos e antidepressivos para a depressão psicótica. Muitos fármacos não reduziram o risco de recaída e alguns aumentaram os sintomas. O uso frequente desses medicamentos pode causar dependência química e dificultar a estabilidade emocional dos pacientes. Assim, é essencial monitorar continuamente os pacientes para ajustar o tratamento e desenvolver estratégias terapêuticas mais seguras e eficazes.
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