Tendências epidemiológicas da Leishmaniose Visceral em Guanambi, Bahia: um estudo de 10 anos
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n2-394Keywords:
Leishmaniose Visceral, Calazar, epidemiologiaAbstract
A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose causada pelo protozoário do gênero Leishmania, transmitida principalmente pela picada de flebotomíneos fêmeas infectadas. Na Bahia, estado localizado na Região Nordeste do Brasil, a LV é endêmica e representa um sério problema de saúde pública. O presente estudo tem como objetivo avaliar a epidemiologia dos casos confirmados de Leishmaniose Visceral no município de Guanambi, Bahia, no período de 2014 a 2023, comparando as características epidemiológicas dos grupos de óbito e não óbito, além de analisar a taxa de letalidade por faixa etária e as características do grupo com coinfecção HIV-LV. Trata-se de uma pesquisa observacional retrospectiva, quantitativa e descritiva realizada por meio da análise das fichas de notificação epidemiológica dos casos confirmados de LV no município de Guanambi, Bahia, no período de 2014 a 2023, fornecidas pelo setor de vigilância Epidemiológica do município. Nos últimos 10 anos, o município de Guanambi registrou 42 casos confirmados de leishmaniose visceral (LV). Realizando a análise por sexo, observamos que dos casos confirmados, 76,2% foram em pacientes do sexo masculino e 23,8% em pacientes do sexo feminino. Em relação à evolução dos casos no município de Guanambi, dos pacientes confirmados, 79% evoluíram com cura da doença e 21% faleceram. A taxa global de letalidade no período de estudo foi de 21,4%. Nesta análise, dividimos os nossos pacientes de acordo com a evolução dos mesmos em grupo geral, grupo cura e grupo óbito. Comparando o grupo de pacientes que evoluíram para óbito, cura e o grupo geral, observamos que os sintomas mais frequentes permaneceram os mesmos, porém o grupo que evoluiu para óbito apresentou um percentual maior na frequência de todos os sintomas, exceto hepatomegalia. Os sintomas menos frequentes, como infecção, hemorragia e edema, foram mais acentuados no grupo que evoluiu para o óbito. A taxa de coinfecção Leishmaniose/HIV em Guanambi foi de 16,7% apresentando um total de 07 pacientes no período. Um deles evoluiu para óbito, com uma taxa de letalidade neste grupo de 14,2%, menor do que a taxa de letalidade do grupo geral. É essencial ressaltar a importância da vigilância epidemiológica contínua e de medidas preventivas eficazes para controlar a disseminação da doença. Estratégias de educação em saúde e treinamento da equipe de saúde são fundamentais para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Este estudo contribui para o conhecimento da epidemiologia da LV em nível local, fornecendo informações importantes para a implementação de políticas de saúde mais eficazes e direcionadas às necessidades da população.
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