Portoenterostomia como tratamento para atresia de vias biliares: resultados e limitações
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n2-376Keywords:
atresia biliar, portoenterostomia hepática, terapêuticaAbstract
Objetivos: Analisar os resultados e as limitações da portoenterostomia para o tratamento da atresia de vias biliares. Método: Revisão integrativa da literatura realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), Google Acadêmico e PubMed, utilizando os descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Atresia biliar”, “Portoenterostomia hepática” e “Terapêutica” combinados entre si pelo operador booleano AND. Resultados: A portoenterostomia (PE) é um procedimento cirúrgico crucial no tratamento da atresia de vias biliares (AVB), mas sua eficácia e limitações são temas amplamente discutidos na literatura médica. Em relação aos resultados, estudos mostram que a PE pode proporcionar uma sobrevida prolongada com o fígado nativo em cerca de 60% dos casos, resolvendo a obstrução extra-hepática. No entanto, as taxas de sucesso variam e muitos pacientes acabam enfrentando complicações relacionadas à colangiopatia intra-hepática crônica, aumentando a necessidade de transplante hepático subsequente. Isso reflete uma limitação significativa da PE, pois apesar de aliviar a obstrução inicial, não impede a progressão da doença para formas mais graves, como cirrose e falência hepática. A prevalência e incidência da AVB têm sido tema de preocupação, especialmente devido ao crescente número de casos diagnosticados. Isso pode ser atribuído a uma maior conscientização, melhorias nos métodos de diagnóstico e até mesmo fatores ambientais ou genéticos. Reconhecer sinais de risco, como icterícia persistente em recém-nascidos, fezes claras, e achados em exames laboratoriais e de imagem, é fundamental para um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz. No entanto, a falta de sintomas específicos em estágios iniciais da doença pode dificultar o reconhecimento precoce, resultando em encaminhamentos tardios para a PE. A abordagem da PE também pode variar dependendo de fatores como sexo e idade do paciente. Estudos mostram que o diagnóstico e tratamento precoce são mais eficazes em bebês do sexo feminino e em casos diagnosticados antes dos 60 dias de vida, enfatizando a importância de programas de triagem neonatal e de conscientização entre profissionais de saúde e pais. No entanto, desafios persistem em garantir acesso igualitário a diagnóstico e tratamento adequado, especialmente em áreas com recursos limitados. Conclusão: A portoenterostomia (PE) é fundamental para o tratamento da atresia de vias biliares (AVB), oferecendo uma chance de sobrevida prolongada com o fígado nativo. No entanto, suas taxas de sucesso variam e complicações como a colangiopatia intra-hepática crônica podem levar à necessidade de transplante hepático. Isso destaca a limitação da PE em evitar a progressão para cirrose e falência hepática.
References
BURNS, J.; DAVENPORT, M. Adjuvant treatments for biliary atresia. Transl Pediatr. São Paulo, 2020;9(3):243–55.
DAVENPORT, M. et al. Surgical and Medical Aspects of the Initial Treatment of Biliary Atresia: Position Paper. J Clin Med. São Paulo, 2022;11(21):6601.
FELDMAN, A. G; MACK, C. L. Biliary atresia: Clinical lessons learned. J Pediatr Gastroenterol Nutr. Estados Unidos, 2015;61(2):167–75.
LAKSHMINARAYANAN, B.; DAVENPORT, M. Biliary atresia: A comprehensive review. J Autoimmun, São Paulo, 2016;73:1–9. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.jaut.2016.06.005.
QUELHAS, P.; CERSKI, C.; DOS SANTOS, J. L. Update on etiology and pathogenesis of biliary atresia. Current Pediatrics Reviews, Emirados Árabes, v. 18, n. 1, p. 1-20, 2022.
SCHREIBER, R. A; HARPAVAT S.; HULSCHER, J. B. F.; WILDHABER, B. E. Biliary Atresia in 2021: Epidemiology, Screening and Public Policy. J Clin Med. São Paulo, 2022;11(4).
WADA, M. et al. Experiência no tratamento da atresia biliar com três tipos de portoenterostomia em uma única instituição: Kasai ampliado, modificado e Kasai modificado laparoscópico. Pediatr Surg Int 30, São Paulo, 863–870 (2014). https://doi.org/10.1007/s00383-014-3551-5
ZAGORY, J. A; NGUYEN, M. V; WANG, K. S. Recent advances in the pathogenesis and management of biliary atresia. Curr Opin Pediatr. Emirados Árabes, 2015;27(3):389–94.


