Relação entre tempo de inserção do dispositivo intrauterino no pós-parto, taxa de expulsão e gestações consecutivas
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n2-231Keywords:
período pós-parto, anticoncepção, dispositivos intrauterinosAbstract
O período pós-parto é um momento oportuno para fornecer contracepção às mulheres. Como a maioria das mulheres é sexualmente ativa após seis semanas ao parto, e a ocorrência de uma gravidez subsequente não intencional pode vir a ser um problema, uma alternativa viável para evitar uma gestação indesejada é o dispositivo intrauterino de cobre (DIU) inserido no pós-parto, um método duradouro, de baixo custo, não hormonal e que não interfere na lactação. Avaliar a taxa de expulsão do dispositivo intrauterino de cobre inserido no pós-parto imediato e no pós-parto precoce, e gestações subsequentes, bem como verificar a prevalência de expulsão de DIU nas participantes, analisar a correlação entre expulsão com o tempo de inserção e tipo de parto, e avaliar as taxas de gestações indesejadas subsequentes. Estudo de coorte prospectivo com gestantes atendidas em uma maternidade pública localizada na cidade de Volta Redonda - RJ. O dispositivo utilizado foi o modelo DIU de cobre Tcu 380A®, sendo a inserção realizada por médico ginecologista e obstetra, ou residente da área em formação sob supervisão direta. A revisão do DIU se deu em acompanhamento ambulatorial por consultas agendadas pelo serviço. Para avaliação dos dados de importância para a pesquisa, como tipo de parto, expulsão, gestações subsequentes, satisfação com o método e demais variáveis foi utilizado um instrumento elaborado para a pesquisa. Foram realizadas análises descritivas e, para verificar a associação entre as variáveis utilizou-se o teste qui-quadrado de Pearson e o teste de Fisher. A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos do Centro Universitário de Volta Redonda. A média de idade entre as participantes foi de 28,1 + 6,84 anos. O perfil apresentou que a maioria era solteira (64,5%), com ensino médio completo (53,8%) e cor de pele declarada não branca (63,3%). A maioria das inserções (53,6%) foi realizada no parto vaginal, e 46,4% na cesariana, sendo que a maior parte (n = 113) dos dispositivos também foi inserido no pós-parto precoce. A colocação do DIU no pós-parto imediato foi significativamente maior em mulheres que realizaram cesariana. Foi observada prevalência de não expulsão (47,3%) dos dispositivos nas mulheres participantes. Ocorreu associação significativa entre parto cesáreo e não expulsão do DIU. Quando verificada a relação entre tempo de inserção do dispositivo e expulsão do mesmo foi observada associação significativa entre expulsão e inserção após 10 minutos de parto. Apenas 02 participantes tiveram gestação subsequente. Verificou-se uma baixa prevalência de gestação indesejada e menores taxas de expulsão do DIU quando inseridos no pós-parto imediato e em partos do tipo cesárea. Existem poucas contraindicações para dispositivos intrauterinos, sendo assim, este método deve ser considerado por obstetras-ginecologistas e outros prestadores de cuidados obstétricos ao aconselharem as mulheres sobre as opções para o início imediato da contracepção no pós-parto.
References
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual técnico para profissionais de saúde – DIU com Cobre T Cu 380. Brasil: Ministério da Saúde, 2018.
Lopez LM, Bernholc A, Hubacher D, Stuart G, Van Vilet HAAM. Immediate postapartum insercion of intrauterine device for contraception. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015; 26(6).
Sonalka S et al. A Decision Analysis Modelo f One-Year Effectiveness of Intended Postplacental Compared With Intended Delayed Postpartum Intrauterine Device. Obstet Gynecol. 2018; 132(5): 1211-1221.
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.265, de 1º de dezembro de 2017. Altera o Anexo XXVIII da Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, que dispõe sobre a ampliação do acesso ao Dispositivo Intrauterino Tcu 380 (DIU de cobre) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: DOU, 2017.
Kapp N, Curtis KM. Intrauterine device insertion during postpartum period: a systematic rewiew. Contraception. 2009; 80(1):327-36.
Jatlaoui TC et al. Expulsão de dispositivos intra-uterinos após colocação pós-parto: revisão sistemática e metanálise. Obstet Gynecol. 2018; 132(4): 895-905.
The American College of Obstetricians and Gynecologist. Immediate postpartum long-acting reversible contraception. Commitee Opinion No. 670. American College of Obstetricians Ang Gynecologist. Obstet Gynecol. 2016; 128(1): e32-7.
Welkovic S et al. Post-partum bleeding and infection after post-placental IUD insertion. Contraception. 2001; 63(3):155-8.
Brasil. Ministério da Saúde. Saúde sexual e saúde reprodutiva. Normas e Manuais Técnicos. Cadernos de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências. Brasília: DOU, 1996.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
Ferreira PB, Utiyama RY, Tamanaha S, Fukunaga ET. Immediate Postpartum Copper IUD: A Comparative Analysis between Profiles of Women who Accept and who Refuse it. Rev Bras Ginecol Obstet. 2022; 44(2):154-160.
Gonçalves MR et al. Estudo comparativo entre dispositivos intrauterinos inseridos em mulheres no puerpério sob diferentes técnicas e períodos. Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2019; 64(3):213-220.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Serviços e Informações do Brasil. IBGE divulga resultado da pesquisa Estatísticas do Registro Civil. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/11/ibge-divulga-resultado-da-pesquisa-estatisticas-do-registro-civil-2020#:~:text=Foram%202.728.273%20registros%20de%20nascimentos%20em%202020%2C%20queda%20de,desde%20o%20ano%20de%201998. Acesso em: 12 de novembro de 2022.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Pesquisa nacional por amostra de domicílios. Síntese de indicadores. 2015. Disponível em https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2015/default.shtm Acesso em: 10 de novembro de 2022.
Scavuzzi A, Souza ASR, Amorim MMR Continued Compliance and Degree of Satisfaction in Nulligravida and Parous Women with Intrauterine Contraceptive Devices. Rev Bras Ginecol Obstet. 2016; 38(1):132-139.
Borges ALV et al. Knowledge about the intrauterine device and interest in using it among women users of primary care services. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2020; 28(1):e3232.
Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. PNAD Contínua – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. 2022. Disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?=&t=destaques Acesso em: 10 de novembro de 2022.
Hooda R et al. Immediate Postpartum Intrauterine Contraceptive Device Insertions in Caesarean and Vaginal Deliveries: A Comparative Study of Follow-Up Outcomes. International Journal of Reproductive Medicine. 2016; 2016(1):1-5.
Vieira CS, Brito MB, Yazlle MEHD. Contracepção no puerpério. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2008; 30(9): 470-479.
The American College of Obstetricians and Gynecologists. Committee Opinion. Immediate Postpartum Long-Acting Reversible Contraception. Obstet Gynecol. 2016; 128(2):422–423.
Averbach SH, et al. Expulsion of intrauterine devices after postpartum placement by timing of placement, delivery type, and intrauterine device type: a systematic review and meta-analysis. Am J Obstet Gynecol. 2020; 223(2):177-188.
Whitaker AK, Chen BA. Society of Family Planning Guidelines: Postplacental insertion of intrauterine devices. Contraception. 2018; 97(1):2-13.
Woo I et al. Six-month and 1-year continuation rates following postpartum insertion of implants and intrauterine devices. Contraception. 2015; 92(6):532-535.
Lester F et al. Intracesarean insertion of the Copper T380A versus 6 weeks postcesarean: a randomized clinical trial. Contraception. 2015; 91(3):198-203.
Sodje JDK et al. Feasibility, acceptability, and uptake of postpartum intrauterine contraceptive devices in southern Nigeria. Int J Gynaecol Obstet. 2016; 135(2):149-153.
Levi EE et al. Intrauterine Device Placement During Cesarean Delivery and Continued Use 6 Months Postpartum: A Randomized Controlled Trial. Obstetrics And Gynecology. 2015; 126(1):5–11.
Grimes DA et al. Immediate post-partum insertion of intrauterine devices. Cochrane Database Syst Rev. 2010; 12(5):CD003036.
Cole LP et al. Postpartum insertion of modified intrauterine devices. Journal of Reproductive Medicine. 1984; 29(9):677-82.
Thiery M, Van Der Pas H, Delbeke L, Van Kets H. Comparative performance of two copper-wired IUDs (ML Cu 250 and
T Cu 200). Immediate postpartum and interval insertion. Contraceptive Delivery Systems. 1980; 1(1):27-35.
O’Hanley K, Huber DH. Postpartum IUDs: keys for success. Contraception. 1992; 45(4):351-61.
Heller R, Johnstone A, Cameron ST. Routine provision of intrauterine contraception at elective cesarean section in a national public health service: a service evaluation. Acta Obstet Gynecol Scand. 2017; 96(9):1144-1151.
Nunes IB et al. Sexualidade no puerpério: uso de contraceptivos. Brazilian Journal of Health Review 2021; 4(1):3150-3172.
Nascer no Brasil. Instituto Nacional Sobre parto e Nascimento. Nascer no Brasil: Sumário executivo Temático da Pesquisa. 2014. Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portalensp/informe/site/arquivos/anexos/nascerweb.pdf Acesso em: 2 de dezembro de 2022.
Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006: dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança. Ministério da Saúde, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
Lima FMT; Lima HAS; Silva OA. Anticoncepcionais hormonais: interações que podem comprometer sua eficácia. Brazilian Journal of Health Review 2021; 4(6):27708-27720.


