Aspectos epidemiológicos da Leishmaniose Visceral no estado de Alagoas no período de 2010 a 2020
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv6n2-248Keywords:
epidemiologia, Leishmaniose Visceral, doenças endêmicasAbstract
A Leishmaniose Visceral (LV) é considerada primordialmente como uma zoonose, devido ao acometimento tanto animal; uma vez que seres humanos passam a compor o ciclo do parasita, a transforma em uma antropozoonose. A intensa proliferação urbana, decorrente dos processos migratórios, as distorções na distribuição de renda, a ocorrência de expansão de regiões urbanas para áreas endêmicas devido ao esvaziamento rural e mudanças climáticas como secas periódicas, permitem que o ambiente seja propenso a ocorrência de LV. Metodologia: Estudo retrospectivo, descritivo com abordagem quantitativa, com fonte de dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), com registros dos pacientes com diagnóstico clínico de LV, registrados de 2010 a 2020 no Estado de Alagoas. Resultados: Na série histórica de casos confirmados de LV houve um total de 487 casos, com maior prevalência no ano de 2018 - cerca de 95 casos (19,5%); na faixa etária de > 1ano até 9 anos houve 210 casos (43,12%), em que 113 (23,2%) crianças do sexo masculino e 97 (19,9%) do sexo feminino; 292 (59,9%) de pacientes obtiveram cura no tratamento terapêutico; 122 casos (25,05%) não foram notificados corretamente no Sinan, estabelecendo a evolução como “ignorado” ou “em branco”; com coinfecção por HIV somou-se 146 casos (29,9%). Conclusão: O estudo permitiu concluir que as notificações de LV no estado de Alagoas encontram-se discrepantes em relação a outros estados com semelhante situação socioeconômica, o que provavelmente pode relacionar-se a subnotificações. Além disso, de acordo com as notificações registradas, há um número considerável de registros “em branco” ou “ignorado”, o que dificulta o entendimento sobre a evolução do caso. Observou-se também que apenas aproximadamente 60% dos casos evoluíram para cura, o que evidencia provável manejo inadequado - por ser uma doença com bom prognóstico, caso haja diagnóstico precoce. Evidenciou-se baixa letalidade (8%). Assim, concluiu-se que não há relação substancial entre um estado com extrema pobreza e a baixa incidência de LV, o que pode relacionar-se à ausências de notificações, uma vem que a LV é uma das principais doenças endêmicas da região nordeste.
References
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de vigilância em saúde. Brasília: MS, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude_5ed_21nov21_isbn5.pdf/view. Acesso em: 23 jan 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral. Brasília, DF:MS, 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_ leishmaniose_visceral.pdf. Acesso em: 02 fev. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Leishmaniose visceral: recomendações clínicas para redução da letalidade. Brasília, DF: MS, 2011a. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ leishmaniose_visceral_reducao_letalidade.pdf. Acesso em: 30 jan 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral / Ministério da Saúde – 1. ed., 5. reimpr. – Brasília, 2014. 120 p.: il. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral_1edicao.pdf. Acesso em: 05 fev 2023.
FARIAS et al. Perfil epidemiológico de pacientes diagnosticados com leishmaniose visceral humana no brasil. C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.12, n.3, p.485-501, set./dez. 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/journal/Revista-Ciencia-e-Desenvolvimento-1984-4271/3. Acesso em: 02 fev. 2023
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Control of Leishmaniasis. Technical Report Series, v. 793, p. 50-52, 1990.
PENNA, H. A. Leishmaniose visceral no Brasil. Brasil-Médico, v. 48, p. 949-950, 1934.
CARVALHO, M. R. et al. Natural leishmania infantum infectionin Migonemyiamigonei (França,1920) (Diptera: Psychodidae: Phlebotominae) the putative vector of visceral leishmaniasis in Pernambuco State, Brazil. Acta Tropica, Amsterdam, v. 116, n. 1, p. 108-110, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.actatropica.2010.03.009. Acesso em: 02 fev. 2023.
COSTA, D. L. Fatores de prognóstico na leishmaniose visceral: alterações clínicas e laboratoriais associadas à resposta imune, aos distúrbios da coagulação e à morte. 2009. 214 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. Disponível em: http://hdl.handle.net/1843/BUOS-96FFS7. Acesso em: 2 fev. 2023.
World Health Organization. WHO Leishmaniasis [Internet]. Geneve: WHO; 2020. p. 2–7. Disponível em: https://www.who.int/newsroom/fact-sheets/detail/leishmaniasis. Acesso em 05 fev. 2023.
World Health Organization. WHO Global Health Observatory data. Leishmaniasis: situation and trends [Internet]. Geneve: WHO; 2021. Disponível em: https://apps.who.int/gho/data/node.main.NTDLEISHVNUM?lang=em. Acesso em 05 fev. 2023.
NASCIMENTO et al. Aspectos epidemiológicos da leishmaniose visceral no Estado de Alagoas no período de 2010 e 2013. Apresentação no MEDTROP 2016. ANAIS. 52º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; Maceió,2016. Disponível em:http://www.sbmt.org.br/medtrop2016/wp-content/uploads/2016/10/10242-Aspectos-epidemiolo%CC%81gicos-da-leishmaniose-visceral-no-Estado-de-Alagoas-no-peri%CC%81odo-de-2010-a%CC%80-2013.pdf.
Acesso em: 05 fev. 2023
VAN GRIENSVEN, J.; DIRO, E. Visceral Leishmaniasis: recent advances in diagnostics and treatment regimens. Infectious Disease Clinics of North America, Philadelphia, v. 33, n. 1, p. 79-99, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.idc.2018.10.005. Acesso em: 05 fev. 2023.
NERI. Mapa da Pobreza. Fundação Getúlio Vargas.2021. Disponível em: https://www.cps.fgv.br/cps/bd/docs/Texto-MapaNovaPobreza_Marcelo_Neri_FGV_Social.pdf. Acesso em: 05 fev. 2023.
LAGO et al. Aspectos de uma área endêmica para leishmaniose visceral em um município no Maranhão, Brasil. Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, v. 10, n. 3, 7 jul. 2020. Disponível em: https://online.unisc.br/seer/index.php/epidemiologia/article/view/15109. Acesso em: 05 fev. 2023.
ALMEIDA et al. Leishmaniose Visceral: distribuição temporal e espacial em Fortaleza, Ceará,2007-2017. Ver. Epidemiologia e Serviços de Saúde,v.29,2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ress/a/v5mHtqV9yqWgwbTCHHsnMLR/?lang=pt#. Acesso em: 05 fev. 2023.
SALES et al. Aspectos epidemiológicos da Leishmaniose Visceral Canina e Humana no estado do Maranhão, Brasil (2009-2012). Rev. Bras. Cie. Vet. 2017. Disponível em: https://periodicos.uff.br/rbcv/article/view/7741/6023. Acesso em: 05 fev. 2023.
CAVALCANTE et al. Leishmaniose Visceral: aspectos epidemiológicos, espaciais e temporais no município de Sobral, nordeste do Brasil,2007-2019. 2022. J. Health Biol Sci. 2022;10(1):1-8. Disponível em: https://periodicos.unichristus.edu.br/jhbs/article/view/4370/1595. Acesso em: 05 fev. 2023.
BARBOSA et al. Aspectos da Coinfecção Leishmaniose Visceral e HIV no Nordeste do Brasil. Rev baiana saúde pública. 2013 Jul-Set; 37(3): 672–87. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100-0233/2013/v37n3/a4468.pdf. Acesso em: 05 fev. 2023.


