Perfil epidemiológico dos casos de Sífilis em uma capital do nordeste brasileiro

Authors

  • Yandra Cavalcante Santos
  • Ana Júlia Gomes Dantas de Araújo Cavalcanti
  • Camila de Barros Prado Moura-Sales
  • Mariana da Silva Santos

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv6n1-336

Keywords:

Sífilis, epidemiologia

Abstract

Introdução: A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, de caráter sistêmico e exclusiva do ser humano, considerada um importante agravo em saúde pública, fato que motivou a legislação brasileira a instituir a notificação compulsória de sífilis congênita, em gestantes e adquirida em todo o território nacional. Este estudo se propõe a descrever o perfil epidemiológico da ocorrência de sífilis em Maceió-AL, a fim de promover o conhecimento a respeito das prioridades que devem ser seguidas a partir das ações de controle e dos serviços de saúde prestados à população. Metodologia: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, transversal, retrospectivo e de abordagem quantitativa. Os dados foram coletados nos meses de setembro, outubro e novembro de 2021, no SINAN, no SIH e no SIM, disponíveis no DATASUS, referentes a todos os casos de sífilis (adquirida, em gestantes e congênita) notificados, às autorizações de internações hospitalares (AIH) aprovadas decorrentes de sífilis (congênita, precoce e outras sífilis) e aos óbitos por este agravo em indivíduos residentes em Maceió entre janeiro de 2015 a dezembro de 2020. O processamento dos dados foi feito a partir dos softwares TabWin, Excel e GraphPad Prism, com posterior análise epidemiológica. Resultados: Foram notificados 2.879 casos de sífilis no período de 2015 a 2020 na capital alagoana, sendo 235 casos de sífilis adquirida, 1.548 de sífilis em gestantes e 1.096 de sífilis congênita. No período de seis anos, registrou-se 11 casos de óbitos por sífilis congênita e, no ano de 2019, ocorreu a maior taxa de mortalidade infantil específica por sífilis congênita - de 27,5 casos por 100.000 nascidos vivos. No que se refere às AIH aprovadas, a maioria foi direcionada à sífilis congênita (98,40%), à faixa etária de menor de 01 ano (98,31%), à raça parda (83,71%) e ao sexo feminino (52,26%). Discussão: O número de casos notificados de sífilis adquirida, em gestantes e congênita aumentou progressivamente de 2015 a 2018 - ano em que obteve o maior número (657) -, diminuiu pela primeira vez em 2019 (19,6%) e registrou seu menor aumento em 2020 (4%). Percebe-se que as características prevalentes em Maceió correspondem às nacionais, com predominância, na sífilis adquirida, de indivíduos de 20 a 39 anos, pardos e do sexo masculino; na sífilis em gestantes, de mulheres jovens e pardas e, na sífilis congênita, de neonatos de até 06 dias de vida, da raça parda e do sexo feminino, com desfecho favorável na evolução no caso. Conclusão: Em Maceió, de 2015 a 2020, o perfil epidemiológico dos casos de sífilis adquirida foi constituído por homens pardos de 20 a 39 anos; de sífilis em gestantes por mulheres pardas de 20 a 39 anos e com Ensino Fundamental II incompleto e da sífilis congênita por bebês do sexo feminino de até 06 dias de vida. A maior parte das AIH aprovadas por sífilis no mesmo período foram decorrentes de sífilis congênita, em bebês do sexo feminino menores de 01 ano e pardos. Por fim, a maioria dos óbitos foram por sífilis congênita, em bebês do sexo masculino menores de 01 ano e pardos.

References

ARAÚJO, M. A. L. et al. Factors associated with unfavorable outcomes caused by Syphilis infection in pregnancy. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, [s. l.], v. 19, n. 2, p. 411–419, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/j/rbsmi/a/BN3bjzccnn436TP8MqbWzYv/?lang=en. Acesso em: 22 maio 2022.

BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids. Sífilis: Estratégias para Diagnóstico no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 100 p. (Série TELELAB). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sifilis_estrategia_diagnostico_brasil.pdf. Acesso em: 09 de jul. de 2021.

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, Ano V, no 1, 2021. Número Especial. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2021/boletim-epidemiologico-de-sifilis-2021. Acesso em: 02 de fev. de 2022.

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. 7ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf. Acesso em: 22 de fev. de 2022.

_____. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV). Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2016/manual-tecnico-para-diagnostico-da-sifilis. Acesso em: 09 de jul. de 2021.

_____. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV). Nota Informativa Nº 02-SEI/2017 – DIAHV/SVS/MS. 2017. Disponível em: http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Sifilis-Ges/Nota_Informativa_Sifilis.pdf. Acesso em: 09 de jul. de 2021.

CONCEIÇÃO, H. N. da; CÂMARA, J. T.; PEREIRA, B. M. Análise epidemiológica e espacial dos casos de sífilis gestacional e congênita. Saúde em Debate, [s. l.], v. 43, n. 123, p. 1145–1158, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-1104201912313. Acesso em: 8 jul. 2021.

COUTINHO, F. M. et al. Distribuição temporal dos casos e da mortalidade infantil por sífilis congênita nas cinco regiões geográficas do Brasil entre 2009 e 2018. Clin. biomed. res, [s. l.], p. 291–298, 2021. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/hcpa/article/download/113237/pdf. Acesso em: 24 jan. 2022.

MAGALHÃES, D. M. dos S. et al. Sífilis materna e congênita: ainda um desafio. Cadernos de Saúde Pública, [s. l.], v. 29, n. 6, p. 1109–1120, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2013000600008. Acesso em: 29 maio 2022.

MARQUES DOS SANTOS, M. et al. Trends of syphilis in Brazil: A growth portrait of the treponemic epidemic. PLOS ONE, [s. l.], v. 15, n. 4, p. e0231029, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0231029. Acesso em: 22 mai. 2022.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Módulos de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades – Módulo 3: medida das condições de saúde e doença na população. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/modulo_principios_epidemiologia_3.pdf. Acesso em: 09 de jul. de 2021.

RESENDE, A. V. de S.; TEIXEIRA, K. S.; ROCHA, S. H. D. de N. Prevalência de Sífilis, HIV e Hepatites B e C em pacientes atendidos por uma equipe do Consultório na Rua do Distrito Federal / Prevalence of Syphilis, HIV and Hepatitis B and C in patients assisted by a Street Clinic team from the Federal District. Brazilian Journal of Health Review, [s. l.], v. 4, n. 6, p. 25634–25645, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.34119/BJHRV4N6-162 . Acesso em: 6 fev. 2023.

RIBEIRO, M. M. et al. Sífilis Congênita- medidas de prevenção em populações vulneráveis no Brasil: uma revisão de literatura / Congenital Syphilis- prevention measures in vulnerable populations in Brazil: a literature review. Brazilian Journal of Health Review, [s. l.], v. 5, n. 3, p. 11011–11023, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.34119/BJHRV5N3-253. Acesso em: 6 fev. 2023.

RONCALLI, A. G. et al. Effect of the coverage of rapid tests for syphilis in primary care on the syphilis in pregnancy in Brazil. Revista de Saúde Pública, [s. l.], v. 55, p. 94, 2021. Disponível em: http://www.scielo.br/j/rsp/a/qSLSTT3fTwwrzHRptnQBmgw/?lang=en. Acesso em: 15 abr. 2022.

SARACENI, V. et al. Vigilância epidemiológica da transmissão vertical da sífilis: dados de seis unidades federativas no Brasil. Pan American Journal of Public Health, [s. l.], v. 41, 2017. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/33998 Acesso em: 22 mai. 2022.

SOARES DE OLIVEIRA SOUZA, B. et al. Análise epidemiológica de casos notificados de sífilis Epidemiological analysis of reported cases of syphilis. ARTIGO ORIGINAL Rev Soc Bras Clin Med, [s. l.], v. 16, n. 2, p. 94–102, 2018. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-913366. Acesso em: 22 mai. 2022.

Published

02/27/2023

How to Cite

SANTOS, Y. C.; CAVALCANTI, A. J. G. D. de A.; MOURA-SALES, C. de B. P.; SANTOS, M. da S. Perfil epidemiológico dos casos de Sífilis em uma capital do nordeste brasileiro. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 4324–4337, 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n1-336. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/57599. Acesso em: 18 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers