Leishmaniose Visceral Canina: um problema de saúde pública em expansão
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv6n1-286Keywords:
Leishmania infantum, diagnóstico molecular, carga parasitáriaAbstract
As leishmanioses são doenças negligenciadas de grande importância em saúde pública. Esta doença, causada por parasitos do gênero Leishmania e transmitidos por insetos vetores pode se manifestar sob as formas visceral, cutânea e muco-cutânea. A leishmaniose visceral ganhou importante destaque na abordagem da “Saúde Única” em função da interface humana, veterinária e ambiental. Neste contexto, a detecção de novas áreas com ocorrência de casos autóctones de LV canina é o marco para iniciar a investigação, vigilância e monitoramento epidemiológico. O município de Lavras era considerado área silenciosa e não vulnerável para leishmaniose visceral canina até o ano de 2013. Diante da necessidade de confirmação da infecção canina, o objetivo do presente trabalho foi confirmar a ocorrência de casos autóctones de LV canina no município de Lavras – MG, com técnicas parasitológicas, sorológicas e moleculares. A partir da Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real – qPCR, foi analisada a carga parasitária de amostras de baço e medula óssea de nove cães naturalmente infectados, sabidamente positivos para LVC nos testes DPP® e EIE LVC Bio-Manguinhos®. Foram observadas quatro amostras positivas para Leishmania infantum em medula óssea, e cinco amostras positivas de baço. Não houve diferença significativa para os valores de carga parasitária entre os dois tipos de tecido analisados. A confirmação da infecção por L. infantum em cães realizada neste estudo é a primeira na macrorregião de Lavras - sul do estado de Minas Gerais, e serve de alerta para implementação das ações de vigilância e controle, no sentido de evitar a dispersão da doença e a ocorrência de casos humanos.
References
Alvar J. 2004. Canine leishmaniasis. Adv. Parasitol. 57:1-88.
Alvar J., Yactayo S. & Bern C. 2006. Leishmaniasis and poverty. Trends Parasitol. 22:552-557.
Baneth G., Koutinas A.F., Solano-Gallego L., Bourdeau P. & Ferrer L. 2008. Canine leishmaniosis – new concepts and insights on an expanding zoonosis: part one. Trends Parasitol. 24:324–330.
Barçante J.M.P.B. 2016. Urbanização e leishmaniose. Revta Pré-Univesp 161:1.
Barçante T.A., Soares G.D.T., Botelho M.C.A., Freitas H.F. & Barçante J.M.P. 2015. First report of the main vector of visceral leishmaniasis in America, Lutzomyia longipalpis (Lutz, Neiva, 1912) (Diptera: Psychodidae: Phlebotominae), in southern Minas Gerais State, Brazil. J. Vector Ecol. 40:412-414.
Bauzer L.G.S.R., Souza N.A., Maigon R.D.C. & Peixoto A.A. 2007. Lutzomyia longipalpis in Brazil: a complex or a single species? A mini-review. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 102:1-12.
Belo V.S., Werneck G.L., Barbosa D.S., Simões T.C., Nascimento B.W.L., Silva E.S. & Strchiner C.J. 2013. Factors Associated with Visceral Leishmaniasis in the Americas: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS Negl. Trop. Dis. 7(5):e2182.
Brasil Ministério da Saúde 2014. Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica, Brasília/DF, p.18-29.
Brasil Ministério da Saúde 2011. Nota técnica conjunta nº 01/2011. CGDT-CGLAB/DEVIT/SVS-MS, Brasília, p.1-3.
Dantas-Torres F. 2012. Canine leishmaniosis in the Old and New Worlds: unveiled similarities and differences. Trends in Parasitol. 28(12):531-538.
Faria A.R. & Andrade H.M. 2012. Diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina: grandes avanços tecnológicos e baixa aplicação prática. Rev Pan-Amaz Saude [online] 3(2):47-57.
Laison R. & Rangel E.F. 2005. Lutzomyia longipalpis and the eco-epidemiology of American visceral leishmaniasis, with particular reference to Brazil. A Review. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 100:811-882.
Leontides L.S., Saridomichelakis M.N., Billinis C., Kontos V., Koutinas A.F., Galatos A.D. & Mylonakis M.E. 2002. A cross-sectional study of Leishmania spp. infection in clinically healthy dogs with polymerase chain reaction and serology in Greece. Vet Parasitol. 109(1-2):19-27.
Manna L., Reale S., Viola F., Vitale F., Foglia-Manzillo V., Pavone L.M., Caracappa S. & Gravino A.E. 2006. Leishmania DNA load and cytokine expression levels in asymptomatic naturally infected dogs. Vet. Parasit. New York 142:271-280.
Missawa N.A., Veloso M.A.E., Maciel G.B.M., Michalsky E.M. & Dias S.D. 2011. Evidência de transmissão de leishmaniose visceral por Lutzomyia cruzi no município de Jaciara, Estado de Mato Grosso, Brasil. Revta Soc. Bras. Med. Trop. 44:76-78.
PAHO. Pan American Health Organization. 2021. Leishmaniasis: Epidemiological Report of the Americas, No. 10 (December 2021). Avaiable from: https://iris.paho.org/handle/10665.2/55368
Quinnell R.J. & Courtenay O. 2009. Transmission, reservoir hosts and control of zoonotic visceral leishmaniasis. Parasitol. 136(14), 1915-1934.
Reis A.B., Teixeira-Carvalho A., Vale A.M., Marques M.J., Giunchetti R.C., Mayrink W., Guerra L.L., Andrade R.A., Correa-Oliveira R. & Martins-Filho O.A. 2006. Isotype patterns of immunoglobulins: hallmarks for clinical status and tissue parasite density in Brazilian dogs naturally infected by Leishmania (Leishmania) chagasi. Vet. Immunol. Immunopathol. 112:102–116.
Reis L.E.S. 2013. Detecção de Leishmania por PCR e suas variações (seminested PCR e PCR em tempo real), em fragmentos de pele e de baço de cães com leishmaniose visceral. Dissertação de Mestrado, Escola de Farmácia, Universidade Federal de Ouro Preto, MG. 85p.
Ribeiro V.M., Rajão R.A., Araújo Diniz S. & Marques-Michalick M.S. 2005. Evaluation of the potential transmission of visceral leishmaniasis in a canine shelter. Revue Méd. Vét. 156:20-22.
Santana C.C., Vassallo J., de Freitas L.A., Oliveira G.G., Pontes-de-Carvalho L.C. & dos-Santos W.L. 2008. Inflammation and structural changes of splenic lymphoid tissue in visceral leishmaniasis: a study on naturally infected dogs. Parasite Immunol. 30:515–524.
Silva J.S., Silva F.F., Miranda F.S., Moreira J.A., Carvalho A.C., Cossolosso, E.H.S., Castro, P.S., Jedlicka, L.D.L. 2020. Ações de combate e controle da leishmaniose no munícipio de Marabá - PA. Braz. J. Hea. Rev. 3(2):3061-3068. Avaiable from <https://doi.org/10.34119/bjhrv3n2-146>
Solcà M.S. 2012. Uso de PCR no diagnóstico da leishmaniose visceral canina: uma abordagem comparativa de diferentes protocolos e tecidos. 88f. Dissertação de Mestrado, Departamento de Patologia e Medicina Legal, Universidade Federal da Bahia, BA. 88p.
Sousa-Gomes M.L., Romero G.A. & Werneck G.L. 2017. Visceral leishmaniasis and HIV/AIDS in Brazil: Are we aware enough? PLoS Negl. Trop. Dis. 11(9):e0005772.
Souza E.C., Braga K.L., Silva T.K. & Silva M. L. 2020. Apresentação clínica da leishmaniose visceral em pacientes portadores do HIV: Análise dos Fatores Relacionados ao Aparecimento da Doença. Braz. J. Hea. Rev. 3(2):1766-1777. Avaiable from <https://doi.org/10.34119/bjhrv3n2-037>
Tropia de Abreu R., Carvalho M.G., Carneiro C.M., Giunchetti R.C., Teixeira-Carvalho A., Martins-Filho O.A., Coura-Vital W., Correa-Oliveira R. & Reis A.N. 2011. Influence of clinical status and parasite load on erythropoiesis and leucopoiesis in dogs naturally infected with Leishmania (Leishmania) chagasi. PloS One 6(5):e18873.
Vitale F., Reale S., Vitale M., Petrotta E., Torina A. & Caracappa S. 2004. TaqMan-Based detection of Leishmania infantum DNA using canine samples. Ann. N. Y. Acad. Sci. 1026(1):139-143.
Werneck G.L. 2008. Fórum: expansão geográfica e urbanização da leishmaniose visceral no Brasil. Introdução. Cad. Saúde Pública [online] 24(12):2937-2940.
WHO - World Health Organization. Leishmaniasis. Available from: https://www.who.int/health-topics/leishmaniasis#tab=tab_1
Young D.G. & Arias J.R. 1992. Flebotomos: Vectores de Leishmaniasis en las Americas. Org. Pan. Salud. 33.


