Retinopatia Diabética: uma revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv6n1-211Keywords:
Diabetes Mellitus, distúrbios oftalmológicos, fotocoagulação, retina, Retinopatia DiabéticaAbstract
Os distúrbios oftalmológicos atingem grande parte da população brasileira, principalmente os idosos. Tais acometimentos, possuem maior incidência em pacientes com comorbidades associadas, como a diabetes mellitus (DM). A exemplo disso, cita-se a retinopatia diabética (RD), complicação microvascular que atinge mais de um terço das pessoas com DM. Essa revisão objetiva entender a associação da retinopatia com a diabetes mellitus, bem como seu tratamento. Assim sendo, foram realizadas pesquisas nos bancos de dados PubMed, LILACS e SciELO sobre a temática e selecionado artigos mais recentes. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, no Brasil há aproximadamente quatro milhões de pessoas com DM que possuem algum grau de retinopatia diabética. Tal patologia é uma manifestação retiniana de uma microangiopatia que ocorre devido a hiperglicemia sanguínea, aumentando a permeabilidade capilar dos vasos da retina e deixando-os mais propensos a lesões. Além disso, possui duas variações, denominadas proliferativa e não proliferativa. Vale ressaltar que a primeira pode progredir para perda da visão, sendo caracterizada principalmente pela adesão dos leucócitos polimorfonucleares à parede do capilar retiniano, ocluindo o vaso, causando extravasamento vascular, hipóxia tecidual e liberação do Fator de Crescimento do Endotélio Capilar, responsável pela neoangiogênese. Esta formação anômala de vasos pode desencadear hemorragia no humor vítreo, descolamento da retina por tração e glaucoma neovascular, causador de dor. A progressão do caráter não proliferativo para o proliferativo dependerá de quanto tempo o paciente é portador de DM, do manejo da glicemia sanguínea e do controle da pressão arterial. Para diagnóstico da RD, faz-se o exame oftalmológico incluindo a oftalmoscopia e a biomicroscopia da retina sob midríase medicamentosa, sendo essenciais para detectar e fazer o estadiamento da patologia. Em relação ao tratamento, deve-se primeiramente controlar os níveis de pressóricos e da glicemia do paciente. Estudos mostram que um controle glicêmico rigoroso reduz a progressão da retinopatia para as suas formas mais graves em mais da metade dos casos. Para os pacientes com RD proliferativa, a fotocoagulação é o tratamento padrão-ouro que consiste na coagulação da retina com um raio laser. Este procedimento primeiramente danifica as células do epitélio pigmentado da retina e os melanócitos coroidais, depois o calor gerado coagula células vizinhas e tecidos adjacentes, causando oclusão dos microaneurismas e diminuindo o extravasamento dos vasos. Dessa forma, reduz a degeneração dos fotorreceptores e impede em 90% dos casos a perda de visão. Em alguns casos a fotocoagulação não é eficiente, como nas hemorragias vítreas persistentes e descolamentos tracionais de retina, assim sendo, usa-se a vitrectomia. Tal técnica evita a progressão da retinopatia, removendo a hialóide posterior e redirecionando os neovasos para a cavidade vítrea. Portanto, a RD é uma grande ameaça para o paciente portador de DM e o controle dos níveis pressóricos e da glicemia do paciente são terapêuticas substanciais para controlar não só a evolução da patologia como também para melhorar sua qualidade de vida, além de prevenir o uso da fotocoagulação ou da vitrectomia.


