Realidade de homens transgêneros no contexto da prevenção do Câncer de colo uterino

Reality of transgender men in the context of cervical Cancer prevention

Authors

  • Franciso Plawthyney da Silva Nogueira
  • Carlos Alberto Teles de Sousa Neto
  • Dayene Mello de Meneses
  • Levi Amorim de Carvalho
  • Raquel Vieira Gomes
  • Ayane Araujo Rodrigues

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv5n6-270

Keywords:

homens transgêneros, Câncer, colo uterino, prevenção

Abstract

Introdução: Homens transgêneros são pessoas que foram designadas como do sexo feminino ao nascer, porém, com o desenvolvimento expressam sua identidade como do sexo masculino, submetendo-se a tratamentos e procedimentos cirúrgicos, como a redesignação de sexo. Porém, nem todos optam pelo procedimento e continuam expostos a doenças características dos genitais femininos, como o câncer de colo uterino, passando despercebidos pelos profissionais de saúde em relação a sua prevenção e ainda enfrentam obstáculos como a discriminação e despreparo profissional. O câncer de colo uterino é considerado um dos tumores com maior taxa de mortalidade. Em 2019, cerca de 6.596 mulheres morreram devido ao câncer de colo uterino. Objetivo: Sensibilizar usuários a cerca da temática através  da gamificação para serem multiplicadores das informações, contribuindo para encorajar homens trans na prevenção do câncer de colo uterino Metodologia: Estudo Descritivo, qualitativo do tipo Relato de Experiência realizado através da metodologia do Arco de Maguerez, com uso de uma ferramenta interativa intitulada “Estourando a Bolha” numa Unidade Básica de Saúde da cidade. Relato de Experiência: Realizada na sala de espera da Unidade Básica de Saúde Iracema, localizada no município de Parnaíba/PI, pelo subgrupo 2.2 da disciplina de Integração Ensino-Saúde-Comunidade, a ação aconteceu em etapas. Inicialmente uma sessão educativa a cerca dos assuntos: câncer de colo uterino e homens transgênero e como a doença pode afetar essa população. Em seguida, como forma de feedback e afirmação do conhecimento repassado, foi aplicada a ferramenta interativa “Estourando a Bolha” representada por balões que continham perguntas sobre o tema discutido anteriormente. As bolhas foram distribuídas para os participantes e aleatoriamente, cada um estourava, lia o questionamento e respondia com o intuito retirar a sociedade de dentro das bolhas em que vivem adquirindo conhecimentos. Considerações Finais: Diante a carência literária sobre o tema, esse trabalho reforça a importância de trabalhar a temática. A atitude de discutir o tema e elaborar estudos deve fazer parte da grade curricular de todos os cursos da área da saúde para capacitar os futuros profissionais evitando relações desumanas e inadequados para a população transgênero. O momento reforçou o quase total desconhecimento da população em identificar um homem transgênero, situação preocupante quando associada a vulnerabilidade de desenvolverem câncer de colo uterino. Nesse contexto, a realização da intervenção com sessão educativa e aplicação da "gamificação" demonstrou-se exitosa uma vez que durante e após o jogo “Estourando a Bolha”, os usuários demonstraram ter adquirido conhecimento sobre o tema e estavam dispostos a multiplicar as informações para familiares e conhecidos, a fim de se fazerem cidadãos fora da bolha respeitando o ser humano independente de qualquer condicionalidade e ajudando a diminuir os obstáculos do homem transgênero.

References

AGÉNOR, Madina et al. Perceptions of cervical cancer risk and screening among transmasculine individuals: Patient and provider perspectives. Culture, health & sexuality, v. 18, n. 10, p. 1192-1206, 2016.

AGOSTINI, Nilo. Conscientização e Educação: ação e reflexão que transformam o mundo. Pro-Posições, v. 29, p. 187-206, 2018.

ARAÚJO, Jéssica Mayara da Silva et al. Exame de Papanicolaou e câncer cervical em homens transgêneros: revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, p. e17010212342-e17010212342, 2021.

BARROS, Leonardo de Oliveira; LEMOS, Carolina Rodrigues Bueno; AMBIEL, Rodolfo Augusto Matteo. Qualidade de vida e satisfação com a imagem corporal de transexuais. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 71, n. 1, p. 184-195, 2019.

BERBEL, Neusi Aparecida Navas. A metodologia da problematização com o Arco de Maguerez: uma reflexão teórico-epistemológica. SciELO-EDUEL, 2012.

BOSSI, Bruna Maffei et al. Especificidades do Atendimento Ginecológico da População Transgênero Masculina. UNILUS Ensino e Pesquisa, v. 17, n. 48, p. 81-92, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 2.836, de 1o de dezembro de 2011. Institui no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 02 dez. 2011.

COLOMBO, Andréa Aparecida. A Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez e sua relação com os saberes de professores. Semina: ciências sociais e humanas, v. 28, n. 2, p. 121-146, 2007.

DA MOTA, Alice Tavares et al. Adesão ao Rastreamento do Câncer de Colo de Útero na População Trans. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, v. 32, n. 1, 2021.

ESTIMATIVA, I. N. C. A. Incidência de Câncer no Brasil.[sl: sn]. 2020.

FERREIRA, Suiane C. A gamificação na área da saúde: um mapeamento sistemático. Anais do Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação, 2019.

FLORIDO, Lucas Moreira; ELIAN, Ethel Muniz. Desafios do Rastreio de Câncer de Colo em Homens Transgêneros. Cadernos da Medicina-UNIFESO, v. 2, n. 3, 2020.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Tipos de câncer: câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA, 2021. Disponível em: https://www.inca.gov. br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 19 set. 2021.

JOHNSON, Michael J. et al. Quantitative and mixed analyses to identify factors that affect cervical cancer screening uptake among lesbian and bisexual women and transgender men. Journal of clinical nursing, v. 25, n. 23-24, p. 3628-3642, 2016.

LAM, June Sing Hong; ABRAMOVICH, Alex. Transgender-inclusive care. CMAJ, v. 191, n. 3, p. E79-E79, 2019.

LANZ, L. Dicionário Transgênero. Transgente, vol. 1, jan. 2019. Disponível em: <https://docero.com.br/doc/e5x8e0>. Acesso em: 29 de setembro de 2021.

MCDOWELL, Michal et al. Cervical cancer screening preferences among trans-masculine individuals: patient-collected human papillomavirus vaginal swabs versus provider-administered pap tests. LGBT health, v. 4, n. 4, p. 252-259, 2017.

PEITZMEIER, Sarah M. et al. Pap test use is lower among female-to-male patients than non-transgender women. American journal of preventive medicine, v. 47, n. 6, p. 808-812, 2014.

PIMENTEL, Natalia Beatriz Lima et al. O câncer do colo uterino e o impacto psicossocial da radioterapia pélvica: revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 9, n. 10, p. e6489109052-e6489109052, 2020.

SEAY, Julia et al. Understanding transgender men's experiences with and preferences for cervical cancer screening: a rapid assessment survey. LGBT health, v. 4, n. 4, p. 304-309, 2017.

SIQUEIRA, Sandra Aparecida Venâncio de; HOLLANDA, Eliane; MOTTA, José Inácio Jardim. Políticas de Promoção de Equidade em Saúde para grupos vulneráveis: o papel do Ministério da Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, p. 1397-1397, 2017.25333

Published

12/27/2022

How to Cite

NOGUEIRA, F. P. da S.; NETO, C. A. T. de S.; MENESES, D. M. de; CARVALHO, L. A. de; GOMES, R. V.; RODRIGUES, A. A. Realidade de homens transgêneros no contexto da prevenção do Câncer de colo uterino: Reality of transgender men in the context of cervical Cancer prevention. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 5, n. 6, p. 25323–25333, 2022. DOI: 10.34119/bjhrv5n6-270. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/55745. Acesso em: 17 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers