Aterosclerose como principal fator de risco para a demência vascular

Atherosclerosis as main risk factor for vascular dementia

Authors

  • Nathália Perini Zamprogno
  • Bianca Suaid Soares
  • Júlia Magalhães Monteiro
  • Júlia Andrade Rodrigues Alves
  • Luiza Norbim Rones
  • Isadora de Oliveira Liparizi
  • Paula Binda Gouvêa
  • Julia Almenara Ribeiro Vieira

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv5n4-173

Keywords:

demência vascular, aterosclerose, idosos, fatores de risco

Abstract

INTRODUÇÃO: Caracteriza-se a demência vascular (DV) como distúrbio cognitivo provocado por doença cerebrovascular ou redução do fluxo sanguíneo cerebral. A arteriosclerose, o hábito de vida e as doenças crônicas funcionam como fatores de risco para o desenvolvimento de placas ateroscleróticas, predispondo a demência nos idosos. A aterosclerose representa cerca de 15% a 20% dos casos de demência na América do Norte e Europa e 30% na Ásia. O objetivo do estudo é elucidar o papel da aterosclerose no desenvolvimento da DV, assim como os fatores relacionados à patogênese, e traçar possíveis formas de prevenção dessa enfermidade. MÉTODOS: A revisão sistemática foi realizada nas bases de dados Pubmed, entre os meses de fevereiro e abril de 2022. A partir da combinação dos descritores, definidos pelo DeCS,  "risk factors" AND "Vascular Dementia", foram encontrados 176 artigos, que selecionaram-se 6. Também foi feita uma busca com a combinação de descritores “Atherosclerosis” AND “Vascular Dementia”, foram encontrados 20 artigos e  selecionaram-se 2. Incluíram-se artigos completos, publicados entre 2017 e 2022, na língua  inglesa, portuguesa ou espanhola. Foram excluídos estudos que abordavam experimentos em animais. Com base na leitura dos títulos e dos resumos, selecionaram-se  9  artigos relacionados ao tema, além de outros 3 estudos fora da estratégia de busca e a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2020. DISCUSSÃO: As anormalidades vasculares estruturais e funcionais se exacerbam com a idade e podem provocar déficits cognitivos, devido a alterações crônicas das funções neurovasculares, o que fundamenta a etiologia da DV.  A DV pode ser classificada em duas síndromes principais, demência pós-AVC em que há declínio cognitivo gradual, com alterações na memória episódica e funções executivas; E a DV sem AVC recente, porém com evidência de imagem de doença cerebrovascular previamente desconhecida, geralmente o envolvimento dos pequenos vasos, em que observa-se mudanças na velocidade de processamento, além das alterações anteriores. Sintomas neuropsiquiátricos, desaceleração da marcha também podem estar presentes em ambas. A doença aterosclerotica pode desenvolver AVC e diminuição do fluxo sanguíneo, relacionados com DV. Nesse sentido, tabagismo, infarto, diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia (DLP) - pelo acúmulo de  β-amilóide (Aβ) cerebral - e sedentarismo são fatores de risco. O desenvolvimento da aterosclerose provoca alteração na regulação de miRNAs, que  estão envolvidos na excitotoxicidade neuronal, neuroinflamação e aumento da permeabilidade, acarreta perda de volume tecidual cerebral, diminuição de massa branca, talâmica e de lobo temporal, além de infartos subcorticais, o que justifica distúrbios cognitivos. Além disso, estresse oxidativo  e o desequilíbrio entre antioxidantes e espécies reativas de oxigênio (ERO) danificam o endotélio dos vasos, as células gliais e os neurônios.  Danos na unidade neurovascular levam a hipoperfusão crônica, hipóxia, produção excessiva de fatores pró-inflamatórios e redução da utilização de óxido nítrico. Corroborando às alterações vasculares, evidencia-se nos idosos a redução do fluxo sanguíneo quando em repouso, ativando mecanismos neuro inflamatórios, que resultam em lesões da substância branca, neurodegeneração e até atrofia cerebral. Por fim, a localização da lesão aterosclerótica também tem papel na sintomatologia. O diagnóstico, a prevenção e o tratamento da DV pode ser auxiliado por medidas como a espessura da íntima média, a dilatação medida por fluxo, o índice tornozelo braquial e o cálcio da artéria coronária. CONCLUSÃO: Além do envelhecimento, a associação  de comorbidades comuns na população idosa, como HAS, DM e DLP relacionam-se com a formação de placas ateroscleróticas e o desenvolvimento da DV. Assim, é essencial controlar o estilo de vida, doenças crônicas e fatores psicossociais que interferem diretamente nos fatores de risco relacionados à formação aterosclerótica, ocorrência de eventos vasculares e evolução da DV. O avanço tecnológico em genética, metabolômica, proteômica e modelos (pré-clínicos) de doenças deve contribuir para estudos mais aprofundados sobre o tema e interações patológicas que podem levar a neurodegeneração.

Published

08/10/2022

How to Cite

ZAMPROGNO, N. P.; SOARES, B. S.; MONTEIRO, J. M.; ALVES, J. A. R.; RONES, L. N.; LIPARIZI, I. de O.; GOUVÊA, P. B.; VIEIRA, J. A. R. Aterosclerose como principal fator de risco para a demência vascular: Atherosclerosis as main risk factor for vascular dementia. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 5, n. 4, p. 14079–14092, 2022. DOI: 10.34119/bjhrv5n4-173. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/51054. Acesso em: 18 oct. 2026.

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Original Papers