Infecção por Acinetobacter spp. resistente aos carbapenêmicos após cirurgia ortopédica com colocação de fixador externo / Infection by carbapenem-resistant Acinetobacter spp. after orthopedic surgery with external fixator placement
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv5n2-123Keywords:
infecção, acinetobacter spp, germe multirresistente, fixador externo, cirurgia ortopédica.Abstract
Introdução: A Acinetobacter spp. é uma bactéria gram-negativa responsável pela contaminação de feridas cirúrgicas e traumáticas. As infecções por essa bactéria são muito comuns quando há o implante de próteses, e necessitam de um extenso desbridamento cirúrgico. Nas cirurgias ortopédicas, o risco para esse tipo de infecção mostra-se ainda maior, devido à frequente utilização de pinos, usados para estabilizar fraturas ósseas. Objetivos: Descrever um caso clínico sobre infecção por Acinetobacter spp. após cirurgia ortopédica com colocação de pino de Schanz associado ao uso de fixador externo. Relato de Caso: Paciente feminina, recebeu atendimento médico após atropelamento por veículo automotivo. Apresentava fratura exposta Gustillo II em diáfise da tíbia esquerda e referia muita dor. Realizado desbridamento cirúrgico, limpeza da ferida e colocação de fixador externo. Solicitado Raio-x de controle e realizada antibioticoterapia. Oito dias depois, paciente apresentou edema em membro inferior esquerdo e epidermólise no sítio de exposição, com drenagem serosa local. Vinte e cinco dias após a primeira cirurgia, retira-se o fixador externo e realiza-se novo desbridamento, com coleta de material para cultura e implante de tala gessada. O procedimento definitivo não pôde ser realizado devido às más condições da pele, sendo, então, postergado. Com o resultado da cultura, a paciente foi diagnosticada com infecção por Acinetobacter spp. A paciente permaneceu em isolamento enquanto recebia tratamento com ampicilina-sulbactam. O tratamento foi bem-sucedido e a ferida apresentou melhora significativa. A paciente pôde ser operada definitivamente e recebeu alta hospitalar logo após. Discussão: Acinetobacter spp. é um gênero de patógeno envolvido em muitas infecções hospitalares. A maioria das infecções da pele e tecidos moles pelo Acinetobacter envolvem as extremidades dos membros e podem complicar com osteomielite1. Esse germe frequentemente possui resistência aos cabapenêmicos, limitando as opções terapêuticas. Nesse caso, o melhor tratamento se dá com ampicilina-sulbactam ou polimixina. Na cirurgia ortopédica, o risco de infecção por esse patógeno se associa, principalmente, ao uso de próteses, como o uso de fixação externa associada a pinos. A contaminação bacteriana no trajeto dos pinos do fixador externo são relativamente comuns, variando de 0,5 a 30%, e podem repercutir em graves complicações locais ou sistêmicas2. A infecção na interface osso-pino do fixador tem associação direta com a técnica de inserção, estabilidade e posição do membro durante a colocação do pino3. Conclusão: A técnica correta de inserção do pino e os cuidados com o curativo e com a ferida operatória são imprescindíveis para a prevenção dessas complicações. Nesse sentido, é fundamental haver a implementação de medidas para o controle da infecção do sítio cirúrgico, que pode repercutir em infecções por germes multirressitentes como a Acinetobacter spp. e até em osteomielite.
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