Análise de prescrições de antimicrobianos em uma unidade básica de saúde do Distrito Federal (Brasil) sob as óticas normativa, epidemiológica e de segurança / Analysis of antimicrobial prescriptions in a basic health unit in the Federal District (Brazil) from the normative, epidemiological and safety perspectives
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv5n2-095Keywords:
atenção primária à saúde, assistência farmacêutica, prescrições de medicamentos, segurança do paciente, antimicrobianos.Abstract
Analisar prescrições de antimicrobianos (ATM) em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do Distrito Federal considerando as perspectivas normativa, epidemiológica e de segurança do paciente. Pesquisa transversal de cunho avaliativo envolvendo análise documental na qual foram analisadas as prescrições de ATM dentre as 431 arquivadas no serviço referentes ao período de fevereiro a julho de 2019 partindo da média local de atendimento da farmácia da UBS. Foram analisadas 54 prescrições contendo pelo menos um ATM. A maioria dos usuários era do sexo feminino (n=36; 66,7%) e na faixa etária de 20 a 59 anos (n=33; 61,1%). A maior parte foi emitida por médico (n=42; 77,8%), era do tipo manual (n=47; 87,0%) e legível (n=50; 92,6%). Das 54, 39 (72,2%) prescrições continham todos os itens obrigatórios considerados (data, identificação/ nome do usuário, carimbo/ identificação do prescritor e identificação da instituição). A média de medicamentos por receita foi de dois. Dos 111 medicamentos receitados nos documentos analisados, 65 eram ATM, sendo que, deles, 63 foram efetivamente dispensados (um não dispensado por não estar na lista de medicamentos distrital e um por desabastecimento). Dos 65 ATM prescritos, menos da metade (n=30; 46,1%) continham as informações completas de concentração, dose, forma farmacêutica, posologia, tempo de tratamento e via de administração. Pouco mais de um terço dos ATM foram prescritos com alguma abreviatura, siglas e/ou símbolos considerados inadequados do ponto de vista de segurança do paciente (n=23; 35,4%), sendo a maioria deles relacionados à forma farmacêutica. Nenhuma das receitas de ATM continha expressões vagas e nove (13,8%) ATM foram prescritos com pelo menos uma medida não métrica (a mais comum delas foi tubo). Menos de um quarto dos ATM prescritos tinha alguma orientação para uso (n=16; 24,6%). A maior parte dos ATM foram antibióticos de uso sistêmico (n=41; 63,1%), com destaque aos betalactâmicos, que corresponderam a mais de 40% dos ATM (cefalexina e amoxicilina foram os principais). Foram evidenciadas cinco Interações Medicamentosas Potenciais (9,2% das prescrições), todas em adultos jovens entre 15 e 33 anos, sendo três delas consideradas como de severidade importante. Os resultados deste estudo podem contribuir para alertar e conscientizar os prescritores quanto à importância de uma prescrição de ATM segura, possibilitando, assim, melhoria da qualidade na assistência e segurança no uso destes na atenção primária. Além disso, espera-se estimular o serviço farmacêutico vinculado à dispensação dos ATM com vistas à promoção do uso racional e segurança no uso do medicamento.
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