Inclusão social e representações da autoimagem em deficientes visuais / Social inclusion and representations of self-image in the visually impaired
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv4n6-304Keywords:
autoimagem, cegueira, preconceito.Abstract
Este estudo, de natureza qualitativa, identificou as representações da autoimagem em deformados faciais reabilitados através de próteses oculares na Clínica de Prótese Buco-Maxilo-Facial da UFPE. A metodologia seguiu a orientação de Bardin (2004). Os resultados evidenciaram que as representações que os entrevistados faziam da própria imagem corporal alterada por uma deformidade facial, associada à cegueira unilateral, eram sentidas como marcas depreciativas decorrentes de uma diferença do que a sociedade considera normal no corpo humano. As metáforas sobre a deformidade facial emergiam nos discursos deles através de sentimentos de valência negativa, associados à baixa autoestima. Com relação ao tempo em que conviviam com a deformidade facial, constatou-se que ela provocava mais sofrimentos psicossocial e espiritual ao longo do primeiro ano da alteração da imagem. Quanto à etiologia, no grupo dos homens o sofrimento era mais intenso no caso de desfiguramento facial por violência urbana e nas mulheres como consequência de violência provocada pelo companheiro. Foi constatado também que a reabilitação protética trouxe impactos positivos estético-funcionais e psicossociais para os pacientes reabilitados. Concluiu-se, diante dos resultados obtidos, que as representações da autoimagem alterada por deformidades faciais, que predominaram entre os entrevistados, foram de uma imagem corporal construída pela percepção de um corpo doente e diferente em relação a um padrão de normalidade socialmente construído e imposto, o qual só podia ser representado de modo autodepreciativo. Em decorrência do impacto negativo da deformidade sobre a autoestima, torna-se fundamental a reabilitação facial através de próteses, a fim de possibilitar a inserção desses pacientes nos diferentes espaços sociais, assegurando-lhes uma qualidade de vida mais satisfatória.
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