Mortalidade Infantil e sua relação com as políticas públicas em saúde sob o olhar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Estado de Goiás / Infant Mortality and its relationship with public health policies from the perspective of the Millennium Development Goals and Sustainable Development Goals in the State of Goiás

Authors

  • Felipe Zibetti Pereira Brazilian Journals Publicações de Periódicos, São José dos Pinhais, Paraná
  • André Guimarães Araújo
  • Andreza Moreira Santos
  • Lucas Mike Naves Silva
  • Luany Patrícia Liberato de Oliveira
  • Paulo Victor Lopes
  • Rafael Souto
  • Helen de Lima

DOI:

https://doi.org/10.34119/bjhrv4n1-262

Keywords:

Mortalidade Infantil. Política Pública. Registros de mortalidade. Assistência à Saúde. Saúde Pública.

Abstract

Introdução: A mortalidade infantil é um indicador de saúde que revela a qualidade de vida e dos serviços de saúde prestados à população materno-infantil, sendo capaz de indicar os níveis de saúde, desenvolvimento social e econômico de determinada população. Uma vez que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) surgem num contexto mundial de busca na melhoria das condições de vida populacional do planeta, e a Rede Cegonha a nível nacional no Brasil, fica claro que a preocupação vai além do crescimento econômico, vislumbrando-se o desenvolvimento. Objetivo: Relacionar as taxas de mortalidade infantil e as políticas públicas em saúde sob o olhar dos ODM e ODS nas macrorregiões e regiões de saúde do Estado de Goiás, de 2000 a 2019. Além disso, mensurar o impacto da estratégia Rede Cegonha na taxa de mortalidade das macrorregiões de saúde do estado de Goiás, no contexto da implantação dos seus componentes, de 2011 a 2019. Método: Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e analítico, com abordagem quantitativa, desenvolvido no âmbito do estado de Goiás e de suas macrorregiões e regiões de saúde, com base em dados quantitativos de 2000 a 2019. Os dados foram coletados utilizando o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Brasil em Síntese (IBGE), do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), do Centro de Informações e Decisões Estratégicas em Saúde – Conecta SUS, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), do Relatórios Dinâmicos – Monitoramento de Indicadores, bem como de relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e Ministério da Saúde (MS). Os dados foram analisados no software Statistical Package for Social Science (SPSS), sendo considerado o nível de significância de 95% (p < 0,05). Além disso, a análise Bland-Altman foi realizada no software MedCalc versão 19.5.2. Os resultados foram expressos como média, desvio-padrão e gráficos. Para comparação entre as macrorregiões foi utilizado o teste ANOVA one-way com post-hoc de Tukey. Para comparação pré e pós Rede Cegonha foi utilizado teste de Mann-Whitney para as macrorregiões e regiões de saúde do Estado de Goiás. Resultados: Em relação a concordância da TMI precoce total pré e pós Rede Cegonha, o One Sample t-test mostrou que a diferença entre as medidas é próxima de zero (p = 0,23) e a regressão linear se apresentou significativa (p < 0,001). Já em relação a TMI tardia, a diferença entre as medidas é próxima de zero (p = 0,68) e a regressão linear se apresentou significativa. A análise por macrorregião para TMI precoce pré e pós Rede Cegonha mostrou que a diferença entre as medidas é próxima de zero para as regiões Centro-Norte (p = 0,97), Centro-Sudeste (p = 0,12), Centro-Oeste (p = 0,56), Nordeste (p = 0,07) e Sudoeste (p = 0,18). A regressão linear a apresentou relação significativa entre a diferença e a média das medidas para as macrorregiões Centro-Norte (p = 0,004), Centro-Sudeste (p < 0,001), Centro-Oeste (p < 0,001) e Sudoeste (p = 0,01), mas não houve viés de proporção para macrorregião Nordeste (p = 0,09). Por fim, a TMI tardia por macrorregião pré e pós Rede cegonha mostrou que a diferença entre as medidas é próxima de zero para as regiões Centro-Norte (p = 0,61), Centro-Sudeste (p = 0,51), Centro-Oeste (p = 0,74), Nordeste (p = 0,96) e Sudoeste (p = 0,24), e a regressão linear não apresentou relação significativa. Conclusão: Constata-se que nas últimas décadas houve uma redução significante da mortalidade infantil no Brasil, no entanto, é preciso avançar para que se tenha uma TMI ainda menor, pois se trata de um indicador que serve para mostrar o quanto um país vem avançando no desenvolvimento humano. Espera-se que os resultados aqui apresentados sirvam para evidenciar acertos e eventuais arestas a serem aparadas, no intuito de promover uma Saúde de qualidade para a população e, assim, diminuir cada vez mais a Mortalidade Infantil no Estado.

References

Bozzetti MC, Araújo BF, Tanaka ACA. Early neonatal mortality in Caxias do Sul: a cohort study. J Pediatr (Rio J.) 2000; 76:200-6.

Tavares LT, Albergaria TFS, Guimarães MAP, Pedreira RBS, Pinto-Junior EP. Mortalidade infantil por causas evitáveis na Bahia, 2000-2012. RECIIS (Online) 2016; 10(3).

Departamento de Análise de Situação de Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2011: uma análise da situação de saúde e a vigilância da saúde da mulher. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2012.

Brasil. Ministério da Saúde. Rede interagencial de informações para a saúde. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2000/fqc01.html. Acesso em 2 de abril de 2019.

Brasil, PNUD. Desenvolvimento humano e IDH, 2019; disponível em: http://www. pnud.org.br/idh/. Acesso em 2 de abril de 2019.

Vianna RCXF, Freire MHS, Carvalho D, Migotto MT. Perfil da mortalidade infantil nas Macrorregionais de Saúde de um estado do Sul do Brasil, no triênio 2012-2014. Revista de Saúde Pública do Paraná 2016; 17:32-40.

Dias BAS, Santos Neto ETD, Andrade MAC. Classificações de evitabilidade dos óbitos infantis: diferentes métodos, diferentes repercussões?. Cadernos de Saúde Pública, 2017; 33, e00125916.

Ruoff AB, Andrade SRD, Schmitt MD. Atividades desenvolvidas pelos comitês de prevenção do óbito infantil e fetal: revisão integrativa. Revista Gaúcha de Enfermagem, 2017; 38(1).

United Nations. 2030 agenda for sustainable development. https://www.cepal.org/en/news/2030-agenda-sustainable-development (acessado em 12/Dez/2017).

Migoto MT, Oliveira RPD, Silva AMR, Freire MHDS. Early neonatal mortality and risk factors: a case-control study in Paraná State. Revista Brasileira de Enfermagem, 22018; 71(5), 2527-2534.

Gaffey MF, Das JK, Bhutta ZA. Millennium Development Goals 4 and 5: Past and future progress. In Seminars in Fetal and Neonatal Medicine, 2015; Vol. 20, No. 5, pp. 285-292.

Shetty AK. Global maternal, newborn, and child health: Successes, challenges, and opportunities. Pediatric Clinics, 2016; 63(1), 1-18.

Ruoff AB, Andrade SRD, Piccoli T. O processo de análise da evitabilidade dos casos de óbito infantil e fetal: estudo de caso único. Texto & Contexto-Enfermagem, 2018; 27(4).

Ministério da Saúde. Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS - a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, 2011.

Batista Filho M, Cruz RDSBLC. A saúde das crianças no mundo e no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 2015; 15(4), 451-454.

Brasil, PNUD. Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil, 2013.

Barcellos, R. M. D. S., Melo, L. M., Carneiro, L. A., Souza, A. C., Lima, D. M., & Rassi, L. T. (2020). Educação permanente em saúde: práticas desenvolvidas nos municípios do estado de Goiás. Trabalho, Educação e Saúde, 18(2).

Guimarães RB. Regiões de saúde e escalas geográficas. Cadernos de Saúde Pública, 2005; 21(4), 1017-1025.

Ronchini, C. E., Franchini, A. A., & Siviero, P. C. L. (2014). Mortalidade Infantil e na Infância no Brasil de 1990 até 2011: Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). Caderno de Estudos Interdisciplinares, 1(1).

BRASIL. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – Relatório Nacional de Acompanhamento. 2010.

United Nations. Interagency Group for Child Mortality Estimation. Levels & Trends in Child Mortality: Report 2017: Estimates Developed by the UN Inter-Agency Group for Child Mortality Estimation. United Nations Children's Fund. New York, 2017.

Rattner, D. (2014). Da saúde materno infantil ao PAISM. Tempus Actas de Saúde Coletiva, 8(1), 103-108.

Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança. Brasília, 2018.

Alves, D. C., & Belluzzo, W. (2005). Child health and infant mortality in Brazil. Economics & Human Biology,v. 2, n.3, p. 391-410, 2004.

Garcia, L. P., & Santana, L. R. (2011). Evolução das desigualdades socioeconômicas na mortalidade infantil no Brasil, 1993-2008. Ciência & Saúde Coletiva, 16, 3717-3728.

De Sousa, J. S., Campos, R. T., da Silva, A. F., Bezerra, F. N. R., & de Lira, J. S. (2016). Estimação e análise dos fatores determinantes da redução da taxa de mortalidade infantil no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos, 10(2), 140-155.

Aquino, R., De Oliveira, N. F., & Barreto, M. L. (2009). Impact of the family health program on infant mortality in Brazilian municipalities. American journal of public health, 99(1), 87-93.

Nishimura, F. N., & Sampaio, B. R. Efeito do Programa" Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil" no Nordeste e Amazônia Legal. Anais do ANPEC, 2016; v.42.

Ronchini, C. E., Franchini, A. A., & Siviero, P. C. L. (2014). Mortalidade Infantil e na Infância no Brasil de 1990 até 2011: Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). Caderno de Estudos Interdisciplinares, 1(1).

Guerra, H. S., Hirayama, A. B., da Silva, A. K. C., Oliveira, B. D. J. S., & de Jesus Oliveira, J. F. (2016). Análise das ações da rede cegonha no cenário brasileiro. Iniciação Científica Cesumar, 18(1), 73-80.

Maranhão, A. G. K., Vasconcelos, A. M. N., Porto, D. L., & França, E. (2012). Mortalidade infantil no Brasil: tendências, componentes e causas de morte no período de 2000 a 2010.

Nascimento, R. M. D., Leite, Á. J. M., Almeida, N. M. G. S. D., Almeida, P. C. D., & Silva, C. F. D. (2012). Determinantes da mortalidade neonatal: estudo caso-controle em Fortaleza, Ceará, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 28(3), 559-572.

França, E., & Lansky, S. (2016). Mortalidade infantil neonatal no Brasil: situação, tendências e perspectivas. Anais, 1-29.

Portal Federativo; Secretaria de Governo. Notícias. Meta da ONU de reduzir a mortalidade infantil é superada em níveis nacional e municipais [Internet]. Brasília: O Portal; 2016.

Marques CPC. Redes de atenção à saúde: a Rede Cegonha [Internet]. São Luís: Universidade Federal do Maranhão; Universidade Aberta do SUS; 2016.

Ministério da Saúde. (2011). Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde-SUS-a Rede Cegonha. Diário Oficial da União.

Published

02/20/2021

How to Cite

PEREIRA, F. Z.; ARAÚJO, A. G.; SANTOS, A. M.; SILVA, L. M. N.; DE OLIVEIRA, L. P. L.; LOPES, P. V.; SOUTO, R.; DE LIMA, H. Mortalidade Infantil e sua relação com as políticas públicas em saúde sob o olhar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Estado de Goiás / Infant Mortality and its relationship with public health policies from the perspective of the Millennium Development Goals and Sustainable Development Goals in the State of Goiás. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 3331–3348, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n1-262. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/24957. Acesso em: 23 oct. 2026.

Issue

Section

Original Papers